A energia sustentável passou a integrar a operação da rede elétrica da menor cidade do Brasil após um projeto da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) implantar, em Serra da Saudade (MG), um sistema de baterias conectado diretamente à distribuição no país. Portanto, com seus 833 habitantes,o município é o primeiro do Brasil a receber estrutura do tipo, ganhandoautonomia de até 48 horas diante de falhas externas no fornecimento.
Inaugurado na última quinta-feira (15/01), o projeto da Cemig combina energia sustentável, armazenamento em larga escala e geração solar local. A estrutura reúne 16 racks de baterias associados a painéis fotovoltaicos com capacidade instalada de 500 quilowatts. Portanto, volume suficiente para sustentar toda a demanda da cidade em situações de interrupção no sistema regional.
Projeto da Cemig aplica energia sustentável à rede de distribuição
Diferentemente de iniciativas já adotadas no setor elétrico brasileiro, o sistema opera na rede de distribuição, etapa responsável pela entrega final da energia aos consumidores. Nesse projeto, a energia sustentável deixa de atuar apenas como geração complementar e passa a integrar a lógica de segurança do fornecimento proposto pela Cemig.
A escolha de Serra da Saudade para instalação do projeto de baterias de Cemig teve base técnica. O município registrava um DEC (indicador que mede o tempo médio anual sem energia) de 24 horas, patamar elevado para padrões regulatórios. Além disso, a distância de cerca de 30 quilômetros até a subestação mais próxima ampliava a exposição a falhas no cabeamento.
Projeto de baterias como alternativa econômica
Antes de optar pelo projeto do sistema de baterias, a Cemig estudou construir uma linha reserva para alimentar Serra da Saudade, mas a obra exigiria cerca de R$ 30 milhões. Por isso, a companhia escolheu uma solução baseada em energia sustentável, com baterias e geração solar, que custou R$ 7 milhões. Algo abaixo da estimativa inicial de R$ 13 milhões.
Quando não estão acionadas em contingências, as baterias contribuem para o controle de tensão da rede, melhorando a qualidade do fornecimento. Em testes operacionais, a distribuidora desligou a alimentação externa por 30 segundos sem impacto percebido pelos moradores, segundo a empresa.
Para Marney Antunes, vice-presidente de Distribuição da Cemig, a queda no custo dos sistemas de armazenamento amplia a viabilidade da energia sustentável como ferramenta operacional. Além disso, reduzindo a dependência de obras físicas extensas em regiões de menor porte.
Armazenamento e estratégia de longo prazo
Com a conclusão desse projeto, a Cemig planeja replicar o modelo em outras 12 cidades ou comunidades de Minas Gerais, com investimentos estimados em R$ 85 milhões. Nesse contexto, no campo regulatório, a companhia também acompanha os leilões de baterias anunciados pelo Ministério de Minas e Energia para levar adiante o projeto.
Segundo Reynaldo Passanezi, CEO da empresa, a ampliação do uso de energia sustentável associada ao armazenamento tende a redefinir o papel das distribuidoras no Sistema Interligado Nacional. Com isso, focando em eficiência operacional e redução de riscos no fornecimento para a cidade.











