Nesta segunda-feira (19/01), o acordo Mercosul-UE (União Europeia) voltou ao centro do debate do agronegócio ao sustentar a projeção de crescimento entre 5% e 7% nas exportações brasileiras de carne bovina para a Europa. A estimativa foi apresentada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que associa o avanço ao acesso gradual às cotas negociadas com o bloco europeu.
O ponto de partida é conhecido. Em 2024, o Brasil embarcou cerca de 128 mil toneladas de carne bovina para países da União Europeia. A entrada em vigor do tratado comercial, portanto, abre espaço para ampliação desse fluxo, ainda que em ritmo moderado. Afinal, a liberação das cotas sem tarifa depende de etapas regulatórias e da aprovação parlamentar nos países envolvidos.
Acordo Mercosul-UE e a lógica das cotas europeias
No desenho atual, o acordo Mercosul-UE prevê uma cota total de 99 mil toneladas de carne bovina sem tarifa de importação para os países do bloco sul-americano. Conforme o entendimento firmado desde 2019, o Brasil deve concentrar aproximadamente 42% desse volume, o equivalente a 41,6 mil toneladas adicionais.
Esse acesso tem peso qualitativo. Itália, Países Baixos, Espanha, Alemanha e Bélgica lideram as compras da carne brasileira no continente e exigem rastreabilidade, padrões sanitários rigorosos e certificação ambiental, atributos que elevam o valor agregado do produto exportado. Para a Abiec, a presença nesse mercado fortalece a posição brasileira em cadeias globais mais exigentes.
Além disso, a entidade avalia que o acordo entre Mercosul e União Europeia reforça a diversificação geográfica das exportações. Portanto, reduzindo a dependência de poucos destinos e ampliando a previsibilidade comercial no médio prazo.
Acordo Mercosul-UE em meio à reorganização global do comércio
Enquanto a Europa se consolida como destino complementar após o acordo Mercosul-UE, o setor de carnes ajusta sua exposição a outros mercados relevantes. A Abiec projeta exportações totais entre 3,3 milhões e 3,5 milhões de toneladas de carne bovina em 2026, patamar próximo ao recorde de 3,5 milhões registrado em 2025, quando volumes e receita atingiram máximas históricas.
Já no eixo asiático, a China acionou mecanismos de salvaguarda que estabelecem limites anuais de 1,1 milhão de toneladas às importações do Brasil para proteger sua produção doméstica. Apesar disso, segundo a Abiec, cargas que eventualmente fiquem fora desse teto podem ser redirecionadas para outros destinos. Além disso, no mercado interno, cerca de 70% da produção brasileira segue destinada ao consumo doméstico, funcionando como referência de equilíbrio para o setor.
Ampliação de mercados e equilíbrio da oferta externa
Nesse contexto, o acordo entre Mercosul e UE se soma a outras frentes. Os Estados Unidos devem elevar as compras para cerca de 400 mil toneladas em 2026, enquanto países do Sudeste Asiático e da América Latina aparecem como alternativas em negociação. A estratégia inclui promoção comercial e presença institucional mais ativa.
Ao combinar acesso preferencial à Europa, redistribuição de fluxos globais e disciplina produtiva, o acordo Mercosul-UE tende a consolidar um novo arranjo para a carne bovina brasileira, no qual volume e valor caminham de forma mais equilibrada.











