O acordo do Mercosul com a União Europeia assinado no último sábado (17) cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo e reforça a inserção do Ceará nas cadeias internacionais. Em 2025, as exportações cearenses para o bloco europeu somaram US$ 447,1 milhões, avanço de 72% em relação ao ano anterior, segundo dados do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).
O resultado consolida a União Europeia como um dos principais destinos externos das empresas do estado, atrás apenas de mercados individuais de grande porte. Ao longo dos últimos anos, o fluxo comercial ganhou densidade e passou a envolver um número maior de países, setores e produtos, ampliando o alcance da indústria e do agronegócio locais.
Acordo do Mercosul com a União Europeia e o novo desenho das exportações
O acordo do Mercosul com a União Europeia surge em um momento de expansão das vendas externas do Ceará para a Europa. Em 2025, 26 países do bloco compraram produtos de empresas cearenses, com destaque para Itália e Países Baixos, que juntos responderam por quase US$ 184 milhões em importações.
França, Polônia e Alemanha completam o grupo dos maiores compradores, indicando uma base diversificada de destinos. Esse perfil reduz a concentração geográfica e oferece maior previsibilidade às empresas, especialmente em um cenário internacional marcado por ajustes nas rotas comerciais globais.
A presença europeia também avançou em participação relativa. A fatia da União Europeia nas exportações cearenses passou de cerca de 8% em 2021 para 19,6% em 2025, segundo o levantamento do CIN, refletindo uma reorientação gradual das estratégias externas do estado.
Comércio Ceará-Europa ganha diversidade setorial
Outro ponto associado ao acordo é a diversificação da pauta exportadora. Embora ferro fundido, ferro e aço liderem as vendas, com US$ 148,5 milhões, outros segmentos ganharam espaço relevante no fluxo com a Europa.
Frutas frescas alcançaram US$ 84,6 milhões, enquanto sal, terras e pedras somaram US$ 66,6 milhões. Combustíveis minerais e gorduras e óleos vegetais também aparecem entre os principais itens, ampliando o leque de setores integrados ao mercado europeu.
Essa variedade indica maior capacidade de adaptação das cadeias produtivas locais às exigências técnicas e comerciais do bloco. Além disso, abre espaço para produtos de maior valor agregado no médio prazo.
Acordo do Mercosul com a União Europeia e o saldo comercial recorde
O fortalecimento do comércio com a Europa também se refletiu na balança comercial. Em 2025, o Ceará registrou superávit recorde de US$ 197 milhões com a União Europeia, revertendo o déficit de US$ 45 milhões observado em 2024.
O resultado decorre da combinação entre exportações em alta e importações em retração. As compras do bloco europeu totalizaram US$ 250 milhões, queda de 18%. A diminuição é influenciada pela redução de combustíveis minerais e máquinas elétricas, além de maior seletividade em bens de capital.
Com a implementação gradual do acordo do Mercosul com a União Europeia após a aprovação legislativa, empresas cearenses tendem a revisar estratégias, custos e requisitos técnicos. O avanço do comércio com a Europa passa a ocupar papel estruturante na inserção internacional do estado.











