A China encerrou o ano de 2025 com um crescimento de 5%, atingindo a meta oficial de Pequim nesta segunda-feira (19). No entanto, houve indícios evidentes de uma diminuição da velocidade no final do ano. O resultado ficou levemente acima das projeções do mercado e repetiu o desempenho de 2024, mantendo a economia chinesa entre as de maior expansão global.
Apesar do número cheio, o avanço ocorreu de forma desigual. O setor externo sustentou a atividade, enquanto a demanda doméstica, o consumo das famílias e o mercado imobiliário continuaram pressionados. Analistas avaliam que o dado anual não elimina os desafios que a segunda maior economia do mundo carrega para 2026.
Crescimento da China apoiado no setor externo
As exportações e a indústria manufatureira da China responderam pela maior parte do crescimento em 2025. Em meio a tensões comerciais, empresas ampliaram vendas para mercados fora dos Estados Unidos, o que ajudou a formar um superávit comercial próximo de US$ 1,2 trilhão, nível recorde.
A produção industrial acelerou no fim do ano, confirmando o peso das fábricas na atividade. Para estrategistas de investimentos, o resultado anual positivo não elimina o fato de que o desempenho “esconde um ritmo desigual”, com setores internos ainda fragilizados.
Esse desenho aumentou a dependência da economia chinesa da demanda externa, deixando o país mais exposto ao avanço do protecionismo global e a mudanças na política comercial dos EUA, segundo avaliações do mercado.
Ritmo econômico perde força no fim do ano
No quarto trimestre, o PIB da China cresceu 4,5% na comparação anual, abaixo do trimestre anterior e no patamar mais fraco em três anos. Mesmo com avanço trimestral de 1,2%, acima do esperado, analistas apontam que a desaceleração indica um início de 2026 com menor impulso.
A fraqueza do varejo, com alta de apenas 0,9% em dezembro, reforçou as dificuldades para estimular o consumo. Ao mesmo tempo, o investimento em ativos fixos caiu 3,8% em 2025, primeira retração anual desde 1996, enquanto o investimento imobiliário recuou 17,2%.
Segundo Kang Yi, chefe do Departamento Nacional de Estatísticas, o desempenho do ano foi obtido “com muito esforço”, diante de oferta elevada e demanda insuficiente.
Crescimento da China e os desafios para 2026
Para sustentar o crescimento da China, o banco central do país iniciou cortes direcionados de juros e sinalizou novas reduções nas exigências de reservas bancárias. No campo fiscal, líderes prometeram uma postura mais ativa e voltaram a indicar uma meta próxima de 5% para 2026.
Além disso, o país pretende pretende elevar a participação do consumo das famílias, hoje inferior a 40% do Produto Interno Bruto, ao longo dos próximos cinco anos. Analistas destacam que isso depende de avanços em renda, emprego e proteção social, em um ambiente ainda marcado por pressões deflacionárias.











