O crédito na indústria voltou a enfrentar um ambiente adverso em 2025, com juros elevados reduzindo o acesso ao financiamento e alterando decisões empresariais. Na segunda-feira (19/01), uma sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que oito em cada dez empresas industriais com dificuldade para obter crédito apontam o custo do dinheiro como o principal entrave.
O levantamento, feito entre fevereiro e julho, indica que a política monetária restritiva se reflete diretamente no caixa das companhias. Com a Selic em 15% ao ano, o financiamento deixou de cumprir o papel de apoio à expansão produtiva e passou a limitar planos de investimento.
Crédito na indústria e o custo do dinheiro
No crédito de curto e médio prazo, até cinco anos, 80% das empresas que relataram obstáculos citaram os juros elevados como fator determinante. Além disso, exigência de garantias reais, como imóveis e equipamentos, apareceu para 32% dos industriais, enquanto 17% mencionaram a falta de linhas de financiamento compatíveis.
No horizonte acima de cinco anos, o crédito na indústria segue pressionado. Nesse caso, 71% dos empresários voltaram a apontar os juros, seguidos pela rigidez nas garantias e pela escassez de produtos financeiros alinhados aos projetos. O cenário ajuda a explicar por que mais da metade das empresas desistiu de buscar crédito no período analisado.
Acesso ao financiamento produtivo
A pesquisa revela que apenas 26% das companhias conseguiram contratar ou renovar crédito de curto prazo. No longo prazo, o índice cai para 17%. Entre quem tentou, a frustração foi elevada, sobretudo nas médias indústrias, que lideram as taxas de insucesso.
Segundo Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, “a política monetária segue bastante restritiva”. Ela afirma que juros reais próximos de 10% desestimulam investimentos em capacidade produtiva e inovação, reduzindo a competitividade do setor.
Crédito na indústria e alternativas pouco usadas
Mesmo entre as empresas que obtiveram financiamento, 35% relataram piora nas condições, como taxas, prazos e carência. No longo prazo, a percepção negativa alcançou 33%, enquanto a maioria descreveu estabilidade.
Instrumentos alternativos, como o risco sacado, ainda têm alcance limitado. Apenas 13% das indústrias usaram a modalidade, apesar do potencial para reforçar fluxo de caixa e gestão financeira. Assim, o crédito na indústria permanece condicionado a juros altos e critérios rígidos, o que mantém o investimento em compasso de espera e reforça a cautela empresarial no cenário atual.











