A exportação de carne bovina do Brasil deve manter volume próximo ao do ano passado em 2026. A projeção foi divulgada na segunda-feira (19/01) pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Segundo a entidade, os embarques devem ficar entre 3,3 milhões e 3,5 milhões de toneladas. O intervalo repete, na prática, o nível de 2025, quando o país registrou o melhor resultado da série em volume e receita.
Esse cenário se desenha mesmo após medidas de proteção adotadas pela China, principal compradora do produto brasileiro. Ainda assim, o setor aposta em ajustes comerciais. Com isso, a redistribuição dos fluxos tende a compensar perdas pontuais. Dessa forma, a exportação de carne bovina deve seguir sustentada ao longo do ano.
O peso da China nas exportações
A China respondeu por cerca de metade das vendas externas brasileiras em 2025. No entanto, as restrições impostas pelo governo chinês reduziram o acesso de exportadores estrangeiros. Como resultado, frigoríficos brasileiros passaram a rever contratos e rotas comerciais.
Os volumes totais devem se manter. A parcela não absorvida pela China pode seguir para outros destinos. Isso inclui tanto mercados já atendidos quanto países ainda em fase de abertura comercial.
Com esse redesenho, as vendas externas ficam mais distribuídas. Ao mesmo tempo, a dependência de um único comprador diminui. Assim, a dinâmica da exportação de carne bovina brasileira passa por ajustes no curto prazo.
Vendas externas de carne bovina ganham novos destinos
Nesse contexto, a Ásia permanece como prioridade estratégica. Autorizações recentes viabilizaram o início das exportações para o Vietnã. Paralelamente, seguem negociações com Japão e Coreia do Sul. Além disso, Filipinas e Indonésia surgem como mercados com espaço adicional de absorção.
No caso da Indonésia, autoridades locais já inspecionaram plantas brasileiras. Agora, avaliam liberar cerca de 18 unidades para exportação. Se confirmada, a decisão amplia a capacidade de embarque para o Sudeste Asiático, região com consumo crescente de proteína animal.
Ao mesmo tempo, o setor busca fortalecer relações comerciais em mercados mais exigentes. Esses países demandam cortes específicos e padrões sanitários rigorosos. Como efeito, o valor agregado das vendas tende a subir.
Exportação de carne bovina e o avanço nos EUA
Os Estados Unidos devem ampliar sua participação em 2026. A Abiec projeta compras de 400 mil toneladas neste ano. Em 2025, o volume ficou em 270 mil toneladas. Atualmente, o país já ocupa a posição de segundo maior destino da carne bovina brasileira.
Os embarques poderiam ter sido maiores no ano passado. As tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano limitaram os volumes. Posteriormente, parte dessas tarifas foi retirada. Com isso, abriu-se espaço para recomposição das vendas.
Mercado internacional de carne bovina
Em síntese, a exportação de carne bovina brasileira entra em 2026 apoiada na diversificação de destinos e em ajustes comerciais contínuos. A leitura do setor aponta para um ano de estabilidade. Ao mesmo tempo, a geografia das vendas tende a ficar mais equilibrada entre grandes compradores.











