O relatório Focus de hoje, segunda-feira (19/01), divulgado pelo Banco Central, trouxe novos ajustes nas expectativas do mercado para 2026, com destaque para a inflação, enquanto juros, crescimento e câmbio permanecem praticamente inalterados. O conjunto de projeções reforça um cenário de cautela, no qual a melhora dos preços ainda não se traduz em maior espaço para flexibilização monetária.
No recorte inflacionário, os dados mostram continuidade no processo de revisão para baixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), embora o indicador siga acima do centro da meta. Ainda assim, a estabilidade das projeções para os anos seguintes indica que o mercado mantém confiança na convergência gradual, sem rupturas no horizonte relevante.
Relatório Focus de hoje e as expectativas de inflação
A leitura de inflação segue como o principal ponto de atenção do mercado, dado seu impacto direto sobre a política monetária e a atividade econômica.
As projeções apresentadas no relatório Focus divulgado hoje para IPCA e o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M):
- IPCA 2026: 4,02%, após nova redução semanal, acumulando quatro revisões consecutivas para baixo
- IPCA 2027: 3,80%, sem alterações
- IPCA 2028: 3,50%, mantido
- IGP-M 2026: 3,92%, com leve ajuste negativo
Esses números indicam desaceleração gradual dos preços, apoiada pela estabilidade dos preços administrados e pela acomodação dos índices de atacado. Ainda assim, o desvio em relação à meta mantém o Banco Central em posição conservadora.
Juros e crescimento econômico segundo o relatório Focus de hoje
Mesmo com a melhora marginal da inflação, as projeções para juros e atividade não sofreram alterações relevantes, sinalizando prudência do mercado.
- Selic 2026: deve chegar a 12,25% ao ano, mantida
- Selic 2027: estimativa que fique a 10,50%
- Selic 2028: 10,00%, com ajuste positivo na semana
- PIB 2026: crescimento de 1,8%, estável há seis semanas
- PIB 2027: 1,8%, sem revisões
A manutenção das projeções do relatório Focus sugere percepção de juros elevados por mais tempo, diante das incertezas fiscais e do crescimento limitado. Portanto, o avanço econômico segue condicionado ao comportamento do crédito, do consumo e da política monetária ao longo do ano.
Leitura macroeconômica do Focus
No setor externo, o cenário econômico permanece equilibrado, com leve melhora nas contas comerciais compensando o déficit em conta corrente. O câmbio projetado em R$ 5,50 por dólar para 2026 reflete esse equilíbrio entre diferencial de juros, fluxo de capitais e risco fiscal. Além disso, a elevação das estimativas para o investimento direto no país reforça a atratividade relativa do Brasil, apesar do ambiente global mais restritivo.
No conjunto, o relatório Focus hoje indica um mercado atento, ajustando expectativas de forma incremental, sem antecipar mudanças abruptas no rumo da política econômica. A trajetória da inflação abre espaço para discussões futuras. Mas, por ora, o cenário exige disciplina monetária e atenção redobrada às contas públicas.











