Selic em 2026 deve começar a cair só em março, apontam bancos

Selic em 2026 deve permanecer em 15% no início do ano e começar a cair apenas em março, segundo bancos. Cortes graduais tendem a influenciar crédito, inflação e atividade econômica.
Selic em 2026
Selic em 2026 deve iniciar ciclo de queda apenas a partir de março, segundo bancos. Imagem: Canva

A Selic em 2026 deve seguir elevada no início do ano e só começar a recuar a partir de março, segundo a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban. O levantamento, feito com 20 bancos entre 17 e 19 de dezembro, indica que 70% das instituições esperam manutenção da taxa em 15% ao ano na reunião de janeiro do Copom.

Esse cenário ocorre apesar da moderação gradual da atividade econômica. Mesmo com sinais de desaceleração, os bancos avaliam que o Banco Central adotará cautela, mantendo a política monetária restritiva por mais tempo para conter pressões inflacionárias e preservar a credibilidade do regime de metas.

Ao mesmo tempo, a expectativa é de que, uma vez iniciado, o ciclo de cortes da Selic em 2026 seja conduzido de forma gradual. A projeção predominante aponta reduções consecutivas de 0,50 ponto percentual ao longo do ano, sem movimentos abruptos.

Selic em 2026 e o mercado de crédito

A trajetória da Selic em 2026 influencia diretamente o mercado de crédito. Segundo a Febraban, os bancos projetam crescimento do saldo total de crédito de 8,2% no próximo ano, abaixo dos 9,2% estimados para 2025, mas ainda em patamar considerado robusto.

Nesse contexto, a manutenção da Selic em patamar elevado no início de 2026 tende a conter uma expansão mais acelerada da carteira livre. Ainda assim, o crédito direcionado deve continuar como principal motor, especialmente entre empresas, após crescimento acima de 15% em 2025.

Selic em 2026 e as expectativas de inflação

Outro fator central na definição da Selic em 2026 é o comportamento da inflação. Metade dos participantes da pesquisa acredita que o índice seguirá acima da meta no próximo ano, pressionado por estímulos fiscais e pela dinâmica do crédito.

Por outro lado, 35% dos analistas projetam inflação abaixo do consenso, sinalizando continuidade do viés de queda observado recentemente. Essa divisão reforça a leitura de que o Banco Central deve optar por um ajuste cuidadoso, equilibrando o ritmo de corte dos juros com a necessidade de ancorar expectativas.

A pesquisa também aponta que a maioria dos bancos vê espaço limitado para um ciclo mais agressivo de afrouxamento monetário, mesmo com a atividade econômica em ritmo mais moderado.

Selic em 2026, atividade e risco fiscal

A Selic em 2026 também se conecta ao cenário fiscal e à atividade econômica. O levantamento mostra melhora no sentimento dos bancos em relação ao crescimento do PIB, com 55% projetando expansão de 1,8% no ano.

Apesar disso, 80% dos participantes acreditam que o governo precisará de medidas adicionais para cumprir a meta fiscal. Entre elas, ganham peso ações do lado das despesas, como bloqueios e contingenciamentos, o que limita espaço para estímulos mais fortes.

Nesse ambiente, a taxa de inadimplência segue como ponto de atenção. A projeção para a carteira livre em 2026 subiu levemente para 5,2%, nível próximo ao observado recentemente pelo Banco Central.

Selic em 2026 e o que esperar adiante

A perspectiva para a Selic em 2026 aponta para um ano de transição. Juros elevados devem marcar o início do período, seguidos por cortes graduais ao longo do ano. A estratégia do Banco Central tende a priorizar previsibilidade, enquanto o crédito desacelera de forma controlada, mantendo o sistema financeiro em equilíbrio.

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Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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