A alta do ouro voltou a ganhar destaque nos mercados nesta terça-feira (20/01). Na sessão, o metal superou, pela primeira vez, o patamar de US$ 4.700 por onça-troy. O avanço ocorreu em um ambiente de forte busca por proteção financeira. Ao mesmo tempo, o aumento das tensões entre Estados Unidos e União Europeia reforçou a cautela dos investidores e pressionou o dólar no mercado internacional.
Na Comex, divisão de metais da Nymex, o contrato do ouro para fevereiro encerrou o pregão em alta de 3,71%. Com isso, o preço atingiu US$ 4.765,80 por onça-troy. Além disso, a desvalorização da moeda americana tornou os metais preciosos mais acessíveis para investidores que operam em outras divisas. Como resultado, o interesse global pelo ativo foi ampliado.
Ambiente geopolítico e mercado de metais
A alta do ouro ocorreu em meio a uma escalada diplomática entre Washington e Bruxelas. Esse cenário envolve disputas comerciais e também questões estratégicas no Ártico. Segundo o Commerzbank, esse contexto tende a reduzir a confiança no dólar como referência defensiva. Assim, abre-se espaço para ativos menos expostos a decisões políticas.
Para o banco alemão, o ouro permanece como a principal alternativa em períodos de instabilidade. Isso ocorre porque o metal não depende diretamente da atuação de governos ou bancos centrais. Essa avaliação ajuda a explicar por que investidores institucionais aumentaram a exposição ao ativo nas últimas semanas.
Além disso, o cenário atual coincide com uma menor atratividade dos ativos americanos. Ainda nesta terça-feira, um fundo de pensão da Dinamarca anunciou que irá se desfazer de títulos do Tesouro dos Estados Unidos. A decisão foi atribuída à fragilidade fiscal do governo norte-americano.
Fluxos financeiros reforçam o interesse pelo metal
Dados recentes do Conselho Mundial do Ouro mostram que os ETFs lastreados no metal receberam mais de 800 toneladas ao longo do último ano. Esse volume representa o segundo maior fluxo anual da série histórica. Fica atrás apenas de 2020, período marcado por estímulos monetários amplos durante a pandemia.
Além disso, na sexta-feira anterior, o maior ETF de ouro do mundo ampliou suas reservas em 11 toneladas, segundo o Commerzbank. Esse comportamento indica que a alta do ouro está associada a decisões estruturais de alocação. Portanto, não se trata apenas de operações de curto prazo.
Em contraste, a prata tem registrado saída líquida de recursos desde o início do ano. Esse fluxo está ligado à realização de lucros. Ainda assim, o metal avançou 6,89% no pregão. Com isso, encerrou o dia a US$ 94,63 por onça-troy, após tocar máxima histórica.
Alta do ouro e outros metais no radar
O ambiente favorável aos metais preciosos também sustentou ganhos em outros contratos. A platina para abril subiu 5,5%, cotada a US$ 2.450 por onça-troy. Já o paládio para março avançou 4,4%, a US$ 1.902.
Em conjunto, esses fatores indicam que a alta do ouro reflete uma reavaliação mais ampla do risco global. Diante de tensões políticas persistentes, dólar pressionado e ajustes nos portfólios institucionais, o metal volta a ocupar espaço relevante como reserva de valor no mercado internacional.











