As exportações de café do Brasil encerraram 2025 com retração no volume embarcado, mas abriram um novo desenho no comércio internacional do produto. Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostraram que o país enviou 40,049 milhões de sacas a 121 destinos, queda de 20,8% em relação ao ano anterior, em um cenário marcado por clima adverso e barreiras comerciais.
Mesmo com menos sacas embarcadas, a receita do setor atingiu nível recorde, sustentada pela alta dos preços no mercado internacional. O resultado revela um ajuste relevante entre oferta limitada, custos elevados e mudanças no perfil dos compradores, com reflexos diretos no ranking global.
Exportações de café do Brasil e a troca no topo do ranking
Os Estados Unidos deixaram a liderança entre os maiores compradores do produto brasileiro após a aplicação de tarifas que seguiram em vigor para o café solúvel. As compras norte-americanas recuaram 33,9% em 2025, reduzindo o espaço do país no comércio bilateral.
A Alemanha assumiu a primeira posição, ainda que também tenha reduzido suas importações em 28,7%. Itália, Bélgica e Espanha seguiram a mesma direção, indicando um ajuste amplo nos mercados tradicionais europeus. Esse conjunto de dados mostra que as exportações de café do Brasil passaram a depender menos de um único destino e mais de uma carteira diversificada.
Compras globais de café brasileiro fora do padrão europeu
Na contramão do recuo europeu, Japão, Turquia e China ampliaram suas aquisições. O Japão importou mais de 2,6 milhões de sacas em 2025, alta de 19,4%, puxada pela recomposição de estoques após um período de menor demanda.
A Turquia elevou as compras em 3,26%, combinando consumo interno com a redistribuição regional do produto. Já a China reforçou sua posição como mercado em expansão, priorizando o café arábica brasileiro e consolidando-se entre os dez maiores importadores do país.
Exportações de café do Brasil e o eixo asiático
A entrada definitiva da China no top 10 simboliza uma mudança estrutural. O país comprou 1,12 milhão de sacas em 2025, avanço de 19,49% em um mercado impulsionado por consumidores jovens e urbanos.
Esse novo eixo asiático indica que as exportações de café do Brasil passam a dialogar com padrões de consumo distintos, menos dependentes da Europa e dos Estados Unidos. A leitura do setor é que o comércio global de café tende a ficar mais fragmentado, exigindo estratégias comerciais flexíveis e atenção constante às condições climáticas e geopolíticas.











