A construção residencial nos EUA apresentou reação em outubro ao registrar avanço mensal, sustentada por reformas em imóveis existentes, segundo dados oficiais. O resultado veio após um setembro negativo e em um ambiente ainda adverso para novos projetos, marcado por crédito caro e custos elevados.
Os números divulgados pelo Census Bureau, do Departamento de Comércio, mostram que os gastos com construção residencial cresceram 1,3% no mês. Em setembro, havia sido registrada queda de 1,4%. Ainda assim, o desempenho anual segue no campo negativo, com recuo de 1,0%, indicando que a recuperação permanece parcial.
Dados da construção de outubro
No recorte mais amplo, os gastos totais com construção avançaram 0,5% em outubro, acima da estimativa de 0,1% apurada por economistas consultados pela Reuters. O dado ganhou relevância adicional porque sua divulgação foi adiada por uma paralisação de 43 dias do governo federal.
Dentro desse quadro, os projetos privados tiveram aumento de 0,6%, revertendo a queda de 0,9% do mês anterior. A leitura do mercado é que a construção residencial nos EUA conseguiu sustentar crescimento mesmo sem expansão das obras novas, o que reforça a leitura de um setor operando de forma defensiva.
Habitação residencial americana sob pressão
Apesar do avanço agregado, os detalhes revelam fragilidade nas novas construções. Os gastos com projetos de moradias unifamiliares recuaram 1,3% em outubro. Já as unidades multifamiliares, que representam uma parcela menor do mercado, tiveram redução de 0,2%.
Esse comportamento ocorre em um contexto de taxas hipotecárias elevadas, que limitam a demanda por novas casas. Além disso, o setor enfrenta custos maiores de materiais, influenciados por tarifas de importação, e dificuldades para contratação de mão de obra qualificada. Segundo analistas do setor imobiliário, esse conjunto de fatores tem levado construtoras a adiar lançamentos.
Construção residencial nos EUA e o papel das reformas
Com a retração nas obras novas, as reformas passaram a ter peso central no desempenho recente. A avaliação predominante é que proprietários optaram por modernizar imóveis existentes, evitando assumir financiamentos em condições menos favoráveis.
Nesse cenário, a construção residencial nos EUA tende a seguir dependente desse tipo de investimento no curto prazo. Indicadores recentes de vendas de moradias usadas e de contratos pendentes apontam desaceleração do mercado imobiliário, o que limita uma retomada mais ampla. Assim, enquanto o crédito não mostrar alívio consistente, o setor deve seguir ancorado em ajustes pontuais e não em expansão estrutural.










