A importação de defensivos agrícolas pelo Brasil alcançou US$ 14,3 bilhões em 2025, segundo dados do sistema Comexstat, do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela CropLife Brasil. O resultado combina aumento de valor e volume com queda nos preços médios, refletindo mudanças no perfil das compras externas do agronegócio.
Do total importado, os defensivos químicos responderam por US$ 13,8 bilhões, alta de 15% em relação a 2024 e participação de 96,3%. Bioinsumos e sementes tiveram fatias bem menores, com 2,2% e 1,5%, respectivamente, segundo o levantamento setorial.
Importação de defensivos agrícolas e avanço dos genéricos
Em volume, 2025 marcou um recorde histórico, com 1,76 milhão de toneladas importadas, crescimento de 23% na comparação anual. Produtos formulados lideraram, com 1,04 milhão de toneladas, seguidos por matérias-primas e produtos técnicos, ambos também em níveis inéditos.
Apesar desse avanço, os preços médios continuaram em trajetória descendente. Segundo a CropLife, o comportamento decorre da maior presença de produtos genéricos nas compras externas, especialmente defensivos formulados, favorecidos por preços mais baixos.
“Temos visto uma tendência de importação de mais produtos formulados em ingredientes ativos genéricos, muito atraídos pelo preço mais competitivo”, afirmou Maria Xavier, gerente de assuntos econômicos da entidade.
Dependência externa e concentração de fornecedores
A China manteve a liderança como principal origem dos defensivos importados pelo Brasil, com US$ 6 bilhões em vendas em 2025. Índia e Estados Unidos aparecem na sequência, com US$ 2 bilhões e US$ 1,6 bilhão, respectivamente.
A predominância chinesa foi observada em todos os segmentos analisados. O país respondeu por mais da metade dos produtos técnicos e por quase metade dos defensivos formulados, reforçando a concentração do abastecimento externo.
Importação de defensivos agrícolas e reflexos no comércio
No sentido oposto da balança, as exportações brasileiras de insumos agrícolas somaram US$ 976 milhões em 2025, alta de 7% e maior receita em 14 anos. Produtos químicos representaram cerca de dois terços do valor exportado, seguidos por sementes e bioinsumos.
As vendas externas de sementes alcançaram US$ 262 milhões. Mesmo com menor volume embarcado, a alta do preço médio para US$ 5,11 por quilo sustentou a receita, com destaque para sementes de milho vendidas ao Paraguai.
Para 2026, a expectativa é de manutenção dos volumes e de preços mais baixos, segundo a CropLife, já que os produtores seguem operando com margens apertadas. Nesse cenário, a importação de defensivos agrícolas tende a continuar guiada pelo fator custo e pela presença de genéricos no mercado.










