Os lucros da Ford avançaram no terceiro trimestre, mesmo em um período marcado por paralisações industriais e incertezas operacionais. Na quinta-feira (22), a montadora informou EBIT ajustado de US$ 2,2 bilhões, acima do registrado um ano antes, embora abaixo das expectativas do mercado.
A receita total cresceu 11%, para US$ 43,8 bilhões, sustentada principalmente pelo desempenho dos negócios ligados a veículos movidos a combustão. Ainda assim, o trimestre foi impactado pela greve do sindicato United Auto Workers (UAW), iniciada em 15 de setembro, que afetou parte relevante da produção.
Lucros da Ford sob pressão operacional
A paralisação chegou a atingir cerca de 45% da capacidade produtiva da empresa, após a ampliação da greve para três fábricas de montagem. Apesar disso, apenas uma unidade permaneceu fechada durante as últimas semanas do trimestre, o que limitou os efeitos imediatos sobre os resultados.
Segundo o diretor financeiro John Lawler, a greve reduziu o EBIT trimestral em aproximadamente US$ 100 milhões. Além disso, a empresa estima ter deixado de produzir e vender cerca de 80 mil veículos no ano, o que deve reduzir o resultado operacional anual em torno de US$ 1,3 bilhão.
Diante desse cenário, a Ford optou por retirar suas projeções para o restante do ano. Lawler afirmou que ainda existem incertezas relacionadas ao ritmo de retomada das fábricas e à normalização da cadeia de fornecedores.
Desempenho financeiro por divisão
O principal suporte aos lucros da Ford veio da divisão de veículos a gasolina voltados ao consumidor final. Mesmo com queda de 1% nas vendas, para 736 mil unidades, a receita subiu 7%, alcançando US$ 25,6 bilhões, enquanto o EBIT avançou 17%, para US$ 1,7 bilhão.
Já o segmento de veículos comerciais apresentou expansão mais intensa. A receita cresceu 16%, para US$ 13,8 bilhões, e o EBIT saltou 311%, também para US$ 1,7 bilhão, refletindo ganhos operacionais e maior eficiência.
Ford e o desafio dos elétricos
Em contraste, a unidade Model e, responsável pelos veículos elétricos, ampliou seus prejuízos para US$ 1,3 bilhão, mesmo com alta de 44% nas vendas, que somaram 36 mil unidades. A empresa atribui o desempenho à pressão sobre preços e aos investimentos contínuos em novas plataformas.
Segundo a Ford, muitos consumidores na América do Norte não aceitam pagar valores superiores aos dos veículos a gasolina ou híbridos. Esse comportamento limita margens e dificulta a conversão de crescimento em rentabilidade.
O balanço do trimestre mostra que os lucros da Ford seguem fortemente apoiados nos negócios tradicionais, enquanto a eletrificação avança em volume, mas ainda pesa sobre os resultados e o planejamento financeiro da montadora.










