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Venda da Baume & Mercier mostra que tradição relojoeira não garante resultado

A venda da Baume & Mercier indica que tradição relojoeira já não garante resultado em um mercado pressionado, levando grupos do luxo a rever portfólios e critérios de retorno. Continue lendo e saiba mais.
venda da Baume & Mercier e tradição relojoeira
Modelo de relógio da Baume & Mercier relojoeira suíça vendida pela Richemont ao grupo Damiani.(Foto: Reprodução)

A venda da Baume & Mercier foi confirmada na última quinta-feira (22/01) e transfere o controle da tradicional relojoeira suíça para o grupo italiano Damiani. A operação, cujos valores ainda não foram revelados, ocorre apesar do legado de quase 200 anos da marca e reforça que, no atual ambiente do luxo, tradição relojoeira não assegura retorno financeiro.

Integrante do portfólio da Compagnie Financière Richemont desde 1988, a Baume & Mercier ocupava um espaço intermediário dentro do conglomerado suíço. Embora carregasse reconhecimento histórico, a marca não acompanhava o desempenho de joalherias e relojoeiras de maior margem, como Rolex, Cartier, Van Cleef & Arpels, Piaget e Vacheron Constantin.

Venda da Baume & Mercier e a lógica do desinvestimento

A venda da Baume & Mercier reflete uma revisão estratégica conduzida pela Richemont em um momento de maior seletividade no luxo. Segundo Oliver Müller, fundador da consultoria especializada LuxeConsult, a relojoeira acumulava prejuízos há anos e já não se enquadrava nas prioridades do grupo suíço.

Na avaliação do analista, a decisão de vender era necessária para racionalizar essa unidade de negócios. A marca, posicionada em um segmento de entrada nos relógios de luxo, enfrentava concorrência intensa e pressão de custos. Fatores, portanto, que limitaram sua capacidade de gerar retorno consistente dentro de um conglomerado focado em ativos mais rentáveis.

O plano do grupo Damiani para a marca

Com a benda da Baume & Mercier, o grupo Damiani amplia sua presença no segmento relojoeiro. A empresa italiana, de capital fechado, reúne marcas de joias como Salvini, Bliss e Calderoni. Além de controlar a Venini, fabricante de vidro artístico, e a Rocca, rede de boutiques de relógios e joias na Itália.

Jérôme Favier, diretor-presidente da Damiani, afirmou que a operação permitirá atrair uma nova base de clientes e fortalecer a atuação tanto no atacado quanto no varejo especializado. Segundo ele, a Baume & Mercier poderá se beneficiar da experiência do grupo no mercado relojoeiro europeu.

Venda da Baume & Mercier une casas fundadas em tradições distintas

Fundada em 1830, a Baume & Mercier construiu sua trajetória na relojoaria suíça com foco em escala e posicionamento intermediário, caminho que a levou a integrar a Compagnie Financière Richemont em 1988, onde passou a conviver com marcas de perfil mais exclusivo e margens superiores.

Já o grupo Damiani, criado em 1924 na Itália, cresceu como uma empresa familiar ancorada em joalheria e varejo próprio, mantendo uma estrutura mais concentrada e controle direto sobre distribuição. A venda da Baume & Mercier conecta, assim, dois modelos históricos diferentes do luxo europeu, reunindo uma relojoeira suíça de quase dois séculos a um grupo italiano moldado por expansão gradual e gestão centralizada.

Setor relojoeiro sob pressão marca venda da Baume & Mercier

A venda da Baume & Mercier ocorre em um contexto desafiador para o mercado global de relógios de luxo. Tarifas adotadas pelos Estados Unidos, os preços elevados do ouro e a demanda mais fraca na China pressionaram vendas e exportações ao longo do último ano.

Ainda assim, há sinais pontuais de estabilização. Isso porque as relojoeiras especializadas da Richemont registraram aumento de 7% nas vendas no último trimestre de 2025. O negócio deve ser concluído no verão europeu de 2026, sujeito a condições usuais. Além disso, após o fechamento, a Richemont continuará prestando serviços operacionais à Baume & Mercier por pelo menos 12 meses, garantindo transição gradual.

No mercado, a leitura é que a transação ilustra uma tendência mais ampla: em um ambiente de custos altos, marcas históricas precisam provar rentabilidade. A tradição relojoeira segue valiosa, mas já não basta para sustentar posições dentro dos grandes grupos do luxo.

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