O turismo no Rio de Janeiro atravessa um dos verões mais intensos da última década. Nesta estação, a cidade espera receber 5,7 milhões de visitantes. O volume representa alta de 14% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo projeções das secretarias municipais de Turismo e de Desenvolvimento Econômico. Como resultado, ruas ficaram mais cheias, bares operam no limite e a ocupação de imóveis por temporada aumentou.
Além disso, o avanço reforça o peso do setor na economia local. Em 2025, o Rio recebeu 12,5 milhões de visitantes, crescimento de 10,5% na comparação com 2024. Embora os brasileiros ainda respondam por 83,1% do total, o destaque ficou com o público estrangeiro. Nesse grupo, a presença avançou 44,8% no período, acompanhando a expansão do turismo internacional no país.
Gargalos urbanos após fluxo intenso no turismo carioca
Com mais visitantes, o turismo no Rio de Janeiro amplia o consumo em hotéis, restaurantes e serviços. Ao mesmo tempo, expõe fragilidades antigas da cidade. Copacabana e Ipanema concentram queixas recorrentes. Entre elas, excesso de pessoas nas calçadas, comércio irregular e disputa por espaço na orla.
Por outro lado, especialistas descartam a ideia de hiperturismo, como o observado em cidades europeias. Pesquisadores do Observatório do Turismo da Universidade Federal Fluminense afirmam que a lotação das praias não decorre apenas do turismo. O calor intenso e o deslocamento de moradores da Região Metropolitana também pesam nesse cenário.
Ainda assim, a pressão pontual exige respostas. Entre as propostas, aparecem reforços no transporte público em fins de semana ensolarados. Também entram na lista planos específicos de limpeza urbana e melhoria da sinalização turística. Além disso, voltou ao debate a reativação de postos de atendimento ao visitante.
Crescimento do fluxo e novas estratégias
Diante dos picos de demanda, o turismo no Rio de Janeiro passou a ser discutido sob a ótica do planejamento e da tecnologia. Professores e gestores defendem aplicativos que informem, em tempo real, o volume de pessoas em atrações. Com isso, o visitante poderia reorganizar roteiros e evitar áreas mais cheias.
Outra frente é a descentralização. A proposta não é esvaziar a Zona Sul. A ideia é estimular outros bairros e destinos do interior do estado. Assim, o turista permanece mais tempo e a renda se espalha. Nesse contexto, a prefeitura aposta em um calendário turístico distribuído ao longo do ano para reduzir a concentração no verão.
Enquanto isso, projetos em pontos específicos avançam. A Escadaria Selarón, que recebeu mais de 1,5 milhão de visitantes em 2025, terá obras a partir de março. O objetivo é reorganizar acessos e melhorar a circulação.
Turismo no Rio de Janeiro e os próximos passos
A temporada de cruzeiros amplia o desafio. No Píer Mauá, 28 navios devem atracar até abril de 2026. A estimativa é receber cerca de 240 mil passageiros. O impacto econômico projetado soma R$ 193,3 milhões.
Para operadores do setor, a experiência positiva depende de integração. Serviços privados e poder público precisam atuar de forma coordenada. No fim, o turismo no Rio de Janeiro segue em expansão. Sustentar esse ritmo exige menos restrições e mais gestão, organização urbana e comunicação clara. Esses fatores devem definir a convivência entre moradores e visitantes nos próximos verões.











