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Em recuperação judicial, o Grupo Handz acertou a venda de fazendas agrícolas ao BTG como parte da execução do plano aprovado pelos credores em março de 2025. Os ativos pertencem ao empresário Washington Umberto Cinel, controlador do grupo e também dono da empresa de segurança privada Gocil.
O pedido de recuperação judicial do Grupo Handz foi protocolado em 2023, após o conglomerado acumular dívidas superiores a R$ 1,7 bilhão. Nesse contexto, o plano homologado estabelece um desconto de 40% sobre o passivo e prevê a alienação de ativos como mecanismo para gerar recursos destinados ao pagamento de créditos específicos.
Recuperação judicial do Grupo Handz e a venda das fazendas
No âmbito da recuperação judicial do Grupo Handz, as propriedades rurais foram reunidas sob a holding Brangus Nova Olinda Participações Societárias. A centralização dos ativos buscou organizar a venda das fazendas prevista no plano aprovado em assembleia de credores, facilitando a execução dessa etapa.
As áreas negociadas com o BTG estão distribuídas pelos estados de São Paulo, Maranhão e Rio Grande do Sul. O portfólio inclui fazendas voltadas à produção de cana-de-açúcar, arroz, soja e milho. Além disso, também concentram atividades de criação de bovinos em propriedades localizadas em São Paulo e no Rio Grande do Sul.
Dívida, credores e instrumentos financeiros
A recuperação judicial do Grupo Handz é marcada pela elevada participação de instrumentos do mercado de capitais na composição da dívida. Aproximadamente R$ 1 bilhão do passivo está concentrado em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Além de Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros), ampliando a exposição de investidores a esse processo.
Entre os principais credores do grupo estão Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Caixa Econômica Federal. A venda das fazendas tem por objetivo viabilizar o cumprimento do plano de recuperação aprovado pelos credores, por meio da geração de recursos destinados ao pagamento dos créditos previstos no processo.
BTG amplia presença em terras agrícolas
A atuação do BTG na recuperação judicial do Grupo Handz se insere em uma estratégia mais ampla do banco no segmento de terras agrícolas. Desde 2021, a instituição passou a reter propriedades dadas como garantia em operações de crédito ligadas ao agronegócio, após exposições a produtores em dificuldade financeira.
O banco arrenda esses ativos a terceiros e direciona os valores pagos pelos arrendatários para a remuneração dos cotistas de seus fundos de terras agrícolas. Portanto, no caso do Grupo Handz, a compra das fazendas amplia o conjunto de propriedades sob gestão direta do BTG, reforçando essa frente de atuação.
O desenho financeiro da recuperação judicial do Grupo Handz
Procurados, nem o banco nem Washington Cinel deram maiores informações sobre a operação. Ainda assim, a alienação das fazendas cumpre uma das condições centrais do plano aprovado pelos credores, ao gerar liquidez para o pagamento dos créditos previstos no processo. E, além disso, redefinir a base patrimonial do Grupo Handz após a reestruturação.











