O juro real do Brasil voltou a ocupar o segundo lugar no ranking global ao fim da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada na quarta-feira (28/01). Com a Selic mantida em 15% ao ano, a taxa real, já descontada a inflação, foi calculada em 9,23%, segundo levantamento da MoneYou e da Lev Intelligence.
O número representa um recuo em relação aos meses anteriores, quando o juro real alcançou 9,44% em dezembro e 9,74% em novembro. Ainda assim, a posição do país no ranking não mudou, mantendo-se atrás apenas da Rússia entre as 40 maiores economias analisadas.
Juro real e a comparação internacional
No cenário global, a Rússia assumiu a liderança do ranking com um juro real de 9,88%, ultrapassando a Turquia, que anteriormente ocupava o topo. O juro real do Brasil, por sua vez, permanece na segunda colocação desde junho, à frente de países como Argentina, México e África do Sul.
Mesmo em um exercício hipotético, a posição brasileira se manteria. Segundo o economista-chefe Jason Vieira, cortes de 0,25 ou 0,50 ponto percentual na Selic não seriam suficientes para alterar o lugar do país no ranking internacional de juros reais.
Além da taxa real, o levantamento também mostra o Brasil entre os países com juros nominais mais elevados. Com a Selic em 15%, o país aparece em quarto lugar, atrás de Turquia, Argentina e Rússia, e à frente de economias relevantes da América Latina e de mercados emergentes.
Taxa real elevada e o peso do cenário doméstico
A manutenção de juros reais elevados está diretamente associada ao ambiente interno. Para Vieira, as incertezas ligadas aos gastos do governo seguem pressionando as decisões de política monetária. Esse fator mantém a cautela do Copom, mesmo diante de sinais de alívio inflacionário em alguns segmentos da economia.
Ainda que indicadores de preços tenham mostrado desaceleração pontual, o economista avalia que as pressões inflacionárias continuam no radar da autoridade monetária. Por isso, a estratégia tem sido preservar um patamar elevado de juros reais como forma de ancoragem das expectativas.
No contexto internacional, a postura brasileira contrasta com a de outros países. Entre 165 economias analisadas no estudo, mais de 20% promoveram cortes recentes de juros, enquanto pouco mais de 7% optaram por elevações.
Juro real do Brasil no radar do mercado
Dentro do grupo das 40 maiores economias, quase um terço já iniciou ciclos de redução de juros. Ainda assim, o juro real do Brasil permanece entre os mais altos, refletindo uma combinação de risco fiscal, inflação ainda sensível e postura conservadora da política monetária.
A leitura do mercado é que, enquanto essas variáveis seguirem presentes, o país deve continuar figurando no topo do ranking global, mesmo que ajustes graduais ocorram nos próximos meses.











