O Índice de Confiança de Serviços (ICS) iniciou 2026 em trajetória de alta, ao alcançar 90,9 pontos em janeiro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). O resultado, divulgado na quarta-feira (29/01), representou avanço mensal de 0,6 ponto e marcou o nível mais elevado desde maio de 2025.
A leitura indica que o empresariado do setor de serviços começou o ano com percepção mais favorável sobre o futuro dos negócios. Ainda assim, a sondagem revelou que a avaliação sobre a atividade corrente perdeu fôlego, sinalizando um ambiente de transição no início de 2026.
Índice de confiança de serviços: leitura dos números
A composição do resultado de janeiro mostra uma dinâmica distinta entre presente e futuro, com melhora concentrada nas expectativas. Tratando-se, portanto, de novo avanço, seguindo sequência nos meses anteriores.
- Índice de Confiança de Serviços (ICS): 90,9 pontos, com alta mensal de 0,6 ponto
- Média móvel trimestral do indicador: 90,4 pontos, avanço de 0,7 ponto
- Variação em relação a janeiro de 2025: recuo de 0,9 ponto
- Amostra da pesquisa: 1.315 empresas consultadas entre 5 e 28 de janeiro
Mesmo com a alta do indicador agregado, o desempenho não foi uniforme entre seus componentes, reforçando uma leitura mais cautelosa sobre a evolução da atividade no curto prazo.
Expectativas ganham força enquanto o presente ajusta
O avanço da confiança foi sustentado pelo Índice de Expectativas de Serviços (IE-S), que mede a percepção dos empresários sobre a demanda e a tendência dos negócios nos próximos meses. Em janeiro, o indicador subiu 4,2 pontos, para 90,3 pontos, alcançando o maior nível desde dezembro de 2024.
- Demanda prevista para os próximos três meses: 91,2 pontos, alta de 4,8 pontos
- Tendência dos negócios para os próximos seis meses: 89,5 pontos, avanço de 3,6 pontos
Na direção oposta, o Índice de Situação Atual de Serviços (ISA-S), que reflete a avaliação sobre a demanda corrente e o momento dos negócios, recuou 2,9 pontos, para 91,7 pontos.
- Volume de demanda atual: queda de 2,1 pontos, para 91,7
- Situação atual dos negócios: recuo de 3,7 pontos, para 91,6
Segundo Stéfano Pacini, economista da FGV IBRE, o empresário inicia o ano mais confiante em relação ao futuro, com destaque para o segmento de serviços de transporte. Em contrapartida, informação e comunicação, assim como os serviços profissionais, enfrentaram ajuste na demanda presente, embora mantenham uma leitura mais favorável adiante.
Índice de confiança de serviços e o ambiente macroeconômico
Na avaliação da FGV IBRE, o comportamento do índice de confiança de serviços confirma uma resposta positiva do setor a um ambiente macroeconômico ainda desafiador. O mercado de trabalho e o controle da inflação aparecem como vetores de suporte, mas não eliminam restrições no curto prazo.
Pacini ressalta que, apesar desses fatores, a política monetária segue limitando avanços mais amplos da atividade. Por isso, a melhora das expectativas não deve ser interpretada como sinal imediato de retomada mais intensa do setor no início de 2026.
O retrato captado pela sondagem sugere que o setor de serviços começa o ano mais disposto a planejar, ainda que opere sob condições financeiras apertadas. Nesse contexto, o índice de confiança de serviços funciona como termômetro das intenções empresariais, mais do que como reflexo direto do nível atual de atividade.











