O recorde do ouro foi renovado nesta quinta-feira (29/01), com a cotação superando os US$ 5.500 por onça-troy e avançando quase 3,8% no dia. Na máxima intradiária, o metal chegou a US$ 5.625, refletindo maior busca por proteção em um pregão marcado por incertezas no cenário internacional.
O desempenho ocorreu em meio à combinação de riscos geopolíticos e preocupações fiscais, fatores que voltaram ao radar do mercado. A alta, portanto, não esteve ligada a um evento isolado, mas à reprecificação do risco em um ambiente de cautela.
Recorde do ouro e os vetores de curto prazo
Em relatório, o Goldman Sachs, uma das maiores instituições financeiras do mundo localizada em Nova York, aponta que, além das tensões globais, o mercado passou a considerar com mais atenção a trajetória fiscal e a incerteza política do Japão. Segundo o banco, esses elementos ampliam a demanda por ativos de proteção, sustentando o preço do ouro em níveis elevados.
Além disso, analistas avaliam que o patamar atual representa um ponto de entrada incerto para investidores táticos. De acordo com o relatório, a dissipação desses fatores poderia gerar uma correção temporária, enquanto novos focos de risco tenderiam a manter os preços elevados ou em consolidação.
Leitura estrutural para o mercado do metal
No horizonte mais longo, o Goldman mantém expectativa favorável para o mercado de metais preciosos, apoiada na demanda estrutural de bancos centrais de mercados emergentes. Essas compras, portanto, seguem como um dos principais suportes do metal, reduzindo a dependência de fluxos financeiros de curto prazo.
O cenário-base do banco projeta o ouro em US$ 5.400 por onça-troy até dezembro de 2026. Além disso, a instituição ressalta que essa estimativa não inclui uma possível ampliação da diversificação do setor privado, fator que poderia alterar a dinâmica de oferta e demanda.
Recorde do ouro e a trajetória da prata
O novo recorde do ouro também encontrou reflexo na prata, cotada a US$ 118 por onça-troy. Segundo o Goldman Sachs, o metal acumula alta de 51% no ano, após ter avançado 138% em 2025.
O banco associa o desempenho recente do ouro ao aperto de liquidez em Londres, que mantém os preços acima de US$ 100, além da especulação em torno da política comercial dos Estados Unidos. A possibilidade de tarifas de até 50% contribui para a retirada de estoques e redução do volume disponível, ampliando a volatilidade.











