As dívidas das famílias brasileiras chegaram a 49,8% da renda no fim de 2025, segundo dados divulgados na quinta-feira (29/01) pelo Banco Central. O nível deixa o indicador muito próximo do maior patamar já registrado, em julho de 2022, quando o endividamento das famílias atingiu 49,9% da renda.
Na prática, as dívidas passaram a consumir quase metade de tudo o que famílias brasileiras recebem em um ano. O cálculo inclui empréstimos pessoais, crédito consignado, cartão de crédito e financiamentos, em um cenário marcado por juros elevados e crédito mais restritivo.
Dívidas das famílias brasileiras e o comprometimento da renda
O avanço das dívidas das famílias brasileiras aparece de forma clara no comprometimento mensal da renda. O indicador, que mede quanto da receita vai para o pagamento de dívidas e despesas fixas, atingiu 29,3% em dezembro, o maior nível da série histórica, após alta de 2,2 pontos percentuais em 12 meses.
Esse resultado interrompeu a trajetória de alívio observada em 2023, quando o endividamento havia recuado para 47,7%. Naquele período, o programa Desenrola estimulou a renegociação de débitos com redução de encargos, mas o efeito perdeu força com o avanço do aperto monetário.
Desde junho, a taxa Selic permanece em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. O ambiente de juros elevados passou a reforçar a pressão das dívidas das famílias brasileiras, ao elevar tanto o custo do crédito novo quanto o peso da rolagem dos compromissos já existentes.
Crédito mais caro amplia a pressão financeira
No crédito livre às famílias, os juros médios atingiram 60,1% ao ano no fim de 2025. O crédito pessoal não consignado, o cartão de crédito parcelado e a maior participação do cartão rotativo puxaram o avanço de 7 pontos percentuais em relação ao ano anterior, ampliando o peso das dívidas das famílias brasileiras no orçamento doméstico.
A inadimplência acompanhou esse cenário. No crédito livre às famílias, os atrasos acima de 90 dias chegaram a 6,9% em 2025. No total das pessoas físicas, o índice atingiu 5%, sinalizando maior dificuldade de pagamento em um ambiente financeiro mais apertado.
Segundo o Banco Central, o uso do cartão de crédito cresceu no fim do ano com o pagamento do 13º salário e as despesas sazonais. Parte desse recurso adicional foi usada para quitar faturas. O que, portanto, reduziu temporariamente o saldo do crédito rotativo em dezembro.
Dívidas das famílias brasileiras e os limites do sistema
O Indicador de Custo do Crédito, que reflete o custo médio da carteira ativa do Sistema Financeiro Nacional, encerrou 2025 em 23,4% ao ano, mesmo após leve recuo no último mês. A pressão se concentrou nas famílias, enquanto a inadimplência entre empresas permaneceu em patamar inferior.
No crédito total, os atrasos acima de 90 dias atingiram 4,1% da carteira. Entre as empresas, o índice ficou em 2,5%, enquanto no crédito livre corporativo chegou a 3,2%. A diferença, segundo o Banco Central, reforça que as dívidas concentram hoje a maior fonte de pressão do sistema financeiro para famílias brasileiras.
Com juros elevados, crédito mais caro e renda pressionada, as dívidas das famílias brasileiras tendem a seguir como um dos principais freios ao consumo e à atividade econômica ao longo de 2026.











