A presença de data centers no espaço, circulando nossa órbita terrestre, passou do debate conceitual para o campo regulatório após a SpaceX protocolar um pedido formal para lançar até 1 milhão de satélites com capacidade de processamento de dados em órbita da Terra. A solicitação foi apresentada na sexta-feira (31/01) à Federal Communications Commission (FCC), autoridade que regula comunicações nos Estados Unidos.
No documento, a empresa de Elon Musk descreve um sistema orbital alimentado por energia solar, desenhado para atender à expansão acelerada da demanda por processamento associada à inteligência artificial. A proposta, portanto, posiciona o espaço como alternativa à infraestrutura terrestre tradicional.
Data centers no espaço e o pedido à FCC
Segundo o protocolo enviado à FCC, o projeto para levar data centers no espaço prevê uma constelação de satélites interligados por links a laser, que operam de forma coordenada como uma rede de processamento distribuído. Além disso, as unidades ficariam posicionadas entre 500 e 2.000 quilômetros de altitude, o que garante exposição quase contínua à luz solar.
A SpaceX afirma que pode lançar o sistema com o foguete reutilizável Starship. Além de reduzir custos logísticos, o método permitiria a implantação gradual da constelação. O pedido, porém, não define um cronograma fechado, mas descreve a arquitetura como tecnicamente viável com os veículos atuais da empresa.
Energia, resfriamento e limites da infraestrutura terrestre
Um dos argumentos centrais apresentados pela companhia é a eficiência energética. Diferentemente dos data centers em solo, que dependem de grandes volumes de água para resfriamento, os data centers no espaço utilizariam o resfriamento radiativo natural do ambiente orbital para dissipar calor.
Além disso, a captação direta de energia solar reduziria a necessidade de baterias e de conexão permanente com redes terrestres. Para a SpaceX, esse modelo enfrenta gargalos que já pressionam a expansão de data centers convencionais em diversas regiões do mundo.
Elon Musk comentou o pedido em uma publicação no X. Na publicação, afirmou que a empresa “imaginava começar pequeno e crescer aos poucos”, em referência à escala apresentada no protocolo.
Data centers no espaço e a estratégia corporativa
O avanço do projeto ocorre em um momento sensível para a SpaceX, que avalia uma abertura de capital ainda neste ano. Paralelamente, a empresa estuda uma possível fusão com a xAI, companhia de inteligência artificial também controlada por Musk, segundo informações divulgadas.
A integração reuniria capacidades de fabricação de satélites, lançamentos espaciais e desenvolvimento de IA, fomentando o papel de data centers no espaço como ativos estratégicos. Há ainda uma alternativa em análise que envolveria a Tesla, ampliando a sinergia entre energia, computação e infraestrutura.
Portanto, ao levar o debate para o campo regulatório, a SpaceX insere os data centers orbitais no centro da discussão sobre como será sustentada a próxima fase da inteligência artificial em escala global.











