Os pagamentos por Pix alcançaram R$ 690 milhões em mensalidades escolares e universitárias em 2025, segundo dados da Gennera obtidos pelo CNN Money. O volume confirma a consolidação do sistema no ensino regular, mesmo com o boleto ainda ocupando a maior fatia das cobranças recorrentes no setor.
O levantamento considera mais de mil instituições de ensino no país e mostra que, embora o Pix tenha ampliado presença, a estrutura tradicional segue dominante. Em um segmento que movimenta mais de R$ 200 bilhões por ano, mudanças operacionais tendem a ocorrer de forma gradual.
Avanço nos números dos pagamentos
A evolução recente dos pagamentos por Pix chama atenção pelo ritmo. Em 2023, o sistema registrou 15 mil transações, somando R$ 10 milhões. No ano seguinte, o volume saltou para 150 mil operações e R$ 170 milhões. Já em 2025, foram 315 mil transações, com crescimento de 110% em relação a 2024.
Esse avanço está associado à digitalização financeira, à liquidação imediata e ao baixo custo operacional para as instituições. Para escolas e faculdades, a previsibilidade de caixa passa a depender menos de intermediários tradicionais e mais da infraestrutura de pagamentos oferecida pelo Banco Central.
Além disso, o Pix reduz etapas administrativas ligadas à conciliação, um fator relevante em cobranças de alto volume e ticket médio recorrente.
Outros meios e a disputa nas cobranças recorrentes
Apesar do avanço, o boleto segue como principal instrumento de cobrança no ensino. Em 2025, concentrou 56% das operações e movimentou R$ 1,8 bilhão. O cartão de crédito respondeu por 13%, enquanto outros meios ficaram com 10%.
Nesse contexto, os pagamentos digitais avançam sem eliminar modelos já incorporados à rotina das famílias. A resistência está ligada à cobrança recorrente, à cultura de débito programado e à percepção de controle financeiro por parte dos responsáveis.
A preferência pelo Pix cresce tanto entre quem paga quanto entre quem recebe. Em 2026, apenas o período de matrículas já superou todo o volume transacionado via Pix em 2025, avaliação que aponta aceleração do uso.
Pagamentos por Pix e o papel do Pix Automático
A entrada do Pix Automático, em operação nacional desde outubro de 2025, adiciona um novo elemento à disputa. A funcionalidade permite autorizações prévias para débitos periódicos, aproximando o sistema do débito automático tradicional.
Para o Banco Central, a ferramenta integra a estratégia de ampliar o uso do Pix no fluxo de caixa das instituições e reduzir a dependência de instrumentos mais caros. No ensino, isso pode alterar a lógica das mensalidades ao longo dos próximos ciclos letivos.
No médio prazo, a combinação entre pagamentos por Pix, automação e alcance quase total da população bancarizada tende a redefinir padrões operacionais no setor educacional, sem rupturas abruptas, mas com efeitos cumulativos.











