A Selic em 15% marcou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na quarta-feira (28/01), mantendo a taxa básica no nível mais alto em duas décadas e reforçando uma leitura que o mercado já havia precificado. O ponto central, porém, não esteve no número em si, mas no recado embutido no comunicado.
Embora o Banco Central tenha preservado um tom cauteloso, a autoridade retirou do texto a indicação de que os juros permaneceriam elevados por período prolongado. A mudança, ainda que sutil, alterou a leitura sobre os próximos passos da política monetária e reposicionou as apostas para março.
Selic em 15% e a leitura do Copom
A decisão já era esperada. Dados da B3 mostravam que 81% das opções de Copom precificavam a manutenção da taxa. Ainda assim, o comunicado ganhou peso ao indicar que o ciclo restritivo se aproxima do fim, segundo avaliação de analistas.
A sinalização abre espaço para um início mais firme do afrouxamento monetário. O primeiro corte pode chegar a 50 pontos-base, acima da estimativa anterior de 25 p.p., sustentado por inflação abaixo da sazonalidade em fevereiro, avanço moderado do PIB no quarto trimestre de 2025 e câmbio estável próximo de R$ 5,20.
Esse conjunto de fatores reforça a leitura de que a taxa atual pode não se estender por muitas reuniões, o que tende a antecipar ajustes na curva de juros.
Juros elevados e renda fixa no radar
Com a taxa básica nesse patamar, os juros reais do Brasil atingiram cerca de 9,23% ao ano após a última decisão. Na prática, títulos indexados à inflação chegaram a oferecer remunerações próximas de IPCA + 7,6% ao ano no mercado secundário.
A atratividade cresce quando se observa o horizonte mais longo. Projeções do Boletim Focus indicam Selic em 9,5% e IPCA de 3,5% em 2029, o que reduziria o juro real para algo próximo de 5,7% ao ano. Esse diferencial explica por que gestores defendem travar taxas antes da reprecificação.
Nesse contexto, a Selic em 15% favorece estratégias em títulos IPCA+, especialmente aqueles com benefícios tributários, já que a isenção de Imposto de Renda pode elevar o retorno líquido em comparação ao Tesouro.
Selic em 15% e o ajuste de portfólio
A leitura predominante é que a janela atual combina retorno real elevado e previsibilidade maior no curto prazo. Para investidores dispostos a assumir risco acima da renda fixa tradicional, alguns papéis chegam a projetar ganhos reais acima de 7% ao ano, segundo análises de mercado.
Ainda assim, especialistas destacam que o tempo joga contra essa estratégia. Com a expectativa de corte já na próxima reunião, a tendência é de compressão das taxas. Por isso, a Selic em 15% pode representar menos um ponto de chegada e mais um divisor de águas para quem busca ajustar o portfólio antes da virada do ciclo.











