Projeção da Selic muda e redesenha expectativas para 2026

A projeção da Selic para 2026 caiu para 11,8%, segundo gestoras. Câmbio favorável, inflação controlada e cenário externo explicam a revisão e mudam estratégias no mercado financeiro.
Projeção da Selic para 2026
Gestoras revisam projeção da Selic com apoio do câmbio e do cenário externo. Imagem: Canva

A projeção da Selic para o fim de 2026 passou por uma revisão relevante, segundo gestoras de fundos multimercados ouvidas na pesquisa Pré-Copom da XP. O levantamento indicou expectativa média de taxa básica em 11,8%, abaixo dos 15% estimados em janeiro de 2025. O dado reflete uma leitura mais favorável do cenário macroeconômico global.

No curto prazo, porém, a avaliação é de estabilidade. As casas consultadas não esperam alteração imediata na taxa básica, hoje em 15% ao ano. A percepção dominante é que o Comitê de Política Monetária mantém postura cautelosa enquanto monitora inflação, atividade e, sobretudo, o ambiente internacional.

Projeção da Selic e o peso do cenário externo

A mudança de rota na projeção da Selic não nasce de fatores domésticos. Gestores apontam que a estabilização dos juros nas grandes economias, em especial nos Estados Unidos, alterou o fluxo global de capitais. Com menor aversão ao risco, investidores estrangeiros ampliaram exposição a emergentes.

Esse reposicionamento favoreceu o real. A moeda mais forte reduz o custo de produtos importados, pressiona para baixo preços de commodities cotadas em dólar e atua como amortecedor inflacionário. Na avaliação das gestoras, esse canal tem sido mais determinante do que ruídos fiscais internos.

Economistas da XP afirmam que as expectativas foram ajustadas ao longo de 2025, à medida que o ambiente externo se tornou mais benigno e o câmbio ganhou tração. Esse contexto abriu espaço para discutir juros menores no médio prazo.

Inflação, câmbio e espaço para juros menores

As projeções para o IPCA acompanharam a mudança. Após alcançarem 4,7% em meados de 2025, as estimativas para 2026 recuaram para 4,0%, em linha com o Boletim Focus. Gestores avaliam que o choque de custos foi absorvido pela valorização cambial.

Com a inflação mais comportada, o Banco Central passa a operar com maior margem para calibrar a política monetária. A leitura é que o câmbio funciona como um freio natural de preços, reduzindo a necessidade de juros elevados por período prolongado.

Esse cenário sustenta a divergência entre a projeção da Selic das gestoras e a mediana do mercado, hoje em 12,5%. A diferença traduz apostas distintas sobre a persistência do real fortalecido.

Projeção da Selic e o redesenho das estratégias

O novo ambiente também alterou a alocação dos fundos. O posicionamento comprado em Bolsa brasileira caiu para 42%, ante 64% no fim de 2025. Ao mesmo tempo, aumentou a exposição a ativos no exterior, sobretudo ações norte-americanas.

No câmbio, 72% das gestoras estão compradas em real, reforçando a estratégia conhecida como Kit Brasil, que combina juros ainda elevados com moeda apreciada. Segundo a XP, esse desenho tem sustentado a performance dos multimercados acima do CDI no curto prazo.

A projeção da Selic, nesse contexto, tornou-se menos dependente de fatores locais isolados e mais conectada ao ciclo global. O desfecho para 2026 dependerá da manutenção desse equilíbrio externo e da capacidade do Brasil de atravessar o período sem novos choques internos.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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