O transporte marítimo global iniciou 2026 sob pressão após os Estados Unidos registrarem uma sequência de quedas nas importações de contêineres no fim de 2025, em um contexto diretamente associado à política tarifária adotada pelo governo Donald Trump. A informação é de dados dos principais portos do país divulgados na sexta-feira (30/01).
As importações americanas encerraram dezembro com recuo anual de 6,4%, totalizando quatro meses consecutivos de queda. O desempenho contrasta com a expansão observada em outras regiões e reforça a leitura de que o tráfego marítimo deixou de ter os EUA como principal motor de crescimento.
Transporte marítimo global perde força nos portos americanos
Apesar de volumes acumulados ainda elevados ao longo de 2025, todos os dez principais portos monitorados apresentaram queda nas importações em dezembro. O resultado reflete a antecipação de compras no primeiro semestre, quando empresas formaram estoques para se proteger das tarifas impostas a partir de agosto.
O Porto de Los Angeles, maior terminal marítimo do país, sintetiza esse ajuste. As importações cresceram 3,3% no primeiro semestre de 2025, mas caíram 4,2% na segunda metade do ano. Nas primeiras semanas de 2026, uma nova retração de 2,2% indica continuidade do enfraquecimento, segundo dados preliminares.
Rotas comerciais se ajustam fora do eixo americano
Enquanto os Estados Unidos perdem ritmo, o transporte marítimo global segue em expansão fora da América do Norte. Em novembro, o volume mundial de contêineres cresceu 7,2% na comparação anual, com avanços expressivos na África, no Oriente Médio, na Índia, na América Latina e na Europa.
Economistas avaliam que grandes economias, como China, Canadá e até o Brasil, passaram a reduzir a dependência do mercado americano, firmando novos acordos e redirecionando cadeias logísticas. Esse ajuste vem ocorrendo de forma acelerada, alterando a distribuição geográfica do comércio internacional e diminuindo o peso relativo dos EUA.
Transporte marítimo global pressiona fretes e amplia incerteza
A retração da demanda americana também afeta os preços. As taxas spot de contêineres recuaram em janeiro e tendem a cair mais, segundo a plataforma global de inteligência de mercado Xeneta. Para o analista-chefe Peter Sand, o equilíbrio atual favorece embarcadores, diante de oferta elevada e menor procura por cargas.
Esse cenário se soma à incerteza da política comercial dos EUA. Economistas projetam crescimento do comércio mundial entre 0,5% e 1% em 2026, abaixo dos 4,2% registrados em 2025, em linha com estimativas da Organização Mundial do Comércio (OMC), enquanto o transporte marítimo global avança sem os EUA como referência central.











