A inadimplência no Brasil encerrou 2025 em trajetória de alta e chega a 2026 sem sinais claros de reversão, mesmo após um ano de renda recorde e desemprego em mínimas históricas. Em dezembro, o índice alcançou 5,05%, acima dos 3,78% registrados no início do ano, segundo o Banco Central, indicando que o alívio no mercado de trabalho não foi suficiente para recompor o orçamento das famílias.
Além disso, o endividamento das pessoas físicas avançou para 49,77% da renda anual ao fim de 2025. Ao mesmo tempo, o comprometimento da renda com dívidas chegou a 29,28%, nível que limita a capacidade de absorver choques e amplia o risco de atrasos, sobretudo em um ambiente de juros reais elevados.
Inadimplência no Brasil e o peso dos juros
Mesmo com a expectativa de cortes graduais da Selic a partir de março, o mercado projeta a taxa básica ainda acima de dois dígitos ao fim de 2026. Nesse cenário, o custo do crédito segue alto. Em dezembro de 2025, o juro médio ao consumidor alcançou 60,1% ao ano, contra 54,3% em janeiro, de acordo com o Banco Central.
No cartão de crédito, a situação é ainda mais sensível. As taxas médias superam 476% ao ano, com picos acima de 1.000% em algumas instituições. Esse patamar prolonga o tempo necessário para quitar dívidas e eleva o serviço da dívida, mesmo quando o saldo cresce pouco. Segundo Cláudio Hamilton Matos dos Santos, do Ipea, financiamentos indexados acabam consumindo mais renda ao longo do tempo, ainda que a parcela mensal não aumente.
Crédito caro e renda pressionada
A composição do crédito ajuda a explicar a persistência da inadimplência no Brasil. Em 2025, linhas mais caras ganharam espaço. O crédito pessoal não consignado cresceu 14,7%, o cheque especial avançou 10,9% e o rotativo do cartão subiu 8,6%. Já o consignado privado teve expansão de 183,6%, ampliando o desconto direto em folha.
Mesmo com cortes de juros no curto prazo, o cenário de crédito tende a mudar pouco, pois o custo depende também das perspectivas econômicas. Além disso, a desaceleração esperada para 2026 reduz a chance de novos ganhos de renda, limitando ajustes no orçamento doméstico.
Risco estrutural para 2026
A inadimplência no Brasil também carrega efeitos acumulados da pandemia, quando muitas famílias consumiram reservas e recorreram ao crédito para manter o consumo. Parte das dívidas atuais ainda reflete esse período, agora agravado por juros altos e menor margem financeira.
Assim, mesmo com mercado de trabalho ainda robusto, endividamento elevado, crédito caro e baixa educação financeira mantêm a inadimplência no Brasil como um dos principais pontos de atenção da economia em 2026.





