O Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0) do Pix passou a ser obrigatório a partir desta segunda-feira (02/02) para todas as instituições que operam o sistema, conforme as diretrizes do Banco Central. A atualização altera a forma como valores são bloqueados e devolvidos em casos de fraude, com foco em rastrear transferências sucessivas.
Embora a regra já esteja em vigor desde novembro do ano passado (11/2025), o regulador concedeu um prazo de adequação até maio para ajustes técnicos. Após esse prazo, a supervisão passa a ser efetiva, ampliando a responsabilização das instituições envolvidas no fluxo do Pix.
MED 2.0 no Pix e o rastreamento em cadeia
Criado em 2021, o Mecanismo Especial de Devolução permitia o bloqueio apenas na primeira conta recebedora. Na prática, isso reduzia a taxa de recuperação, já que fraudadores costumavam transferir os recursos rapidamente para outras contas.
Segundo Danilo Porto, CTO da QI Tech, o novo desenho altera essa lógica. “Agora, o sistema é obrigado a rastrear o caminho que o valor percorreu em cadeia, ainda que tenha sido repassado para várias contas sucessivas”, afirma. Com isso, o MED 2.0 no Pix alcança esquemas que usam pulverização de valores como estratégia.
Além disso, o mecanismo passa a executar bloqueios automáticos em múltiplas camadas. De acordo com Porto, essa abordagem eleva as chances de ressarcimento e dificulta o uso de contas intermediárias por organizações criminosas.
Nova lógica de devolução no Pix
Outra mudança relevante proporcionada pelo MED 2.0 está na experiência do usuário do Pix. Desde outubro de 2025, o sistema oferece um botão de contestação direto no aplicativo, eliminando a dependência de atendimento humano para iniciar o processo.
Com o novo fluxo, o prazo para conclusão da devolução pode chegar a sete dias. Apesar disso, o Banco Central reforça que o Pix continua sendo, em regra, irreversível. O mecanismo, portanto, se aplica apenas a situações de fraude comprovada, como golpes de engenharia social, QR Codes adulterados e vendedores inexistentes.
Impactos do MED 2.0 Pix no setor financeiro
Para bancos e fintechs, o MED 2.0 do Pix exige investimentos adicionais em tecnologia, monitoramento e integração de sistemas. O rastreio ampliado tende a acelerar o encerramento de contas classificadas como de risco.
Na avaliação do Banco Central, a medida reduz perdas sistêmicas com fraudes e fortalece a confiança no sistema de pagamentos instantâneos. Ao mesmo tempo, eleva o custo operacional do crime ao enfraquecer redes baseadas em contas de passagem.
No horizonte, a expectativa do mercado é de um ambiente mais rigoroso para fraudes digitais, com efeitos diretos sobre a governança das instituições e a segurança percebida pelos usuários do Pix.





