O pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor, apresentado nesta segunda-feira (02), expõe uma dívida superior a R$ 4 bilhões. Os documentos entregues à Justiça paulista mostram que uma corretora investigada pela Polícia Federal figura entre os principais credores do conglomerado. A informação consta do processo que tramita na Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
Protocolada na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, a solicitação prevê proteção contra execuções enquanto o conglomerado negocia um plano de pagamento. O passivo total declarado soma R$ 4,257 bilhões, valor que pressiona a estrutura de capital e exige negociação coordenada com investidores institucionais e parceiros financeiros.
Recuperação judicial do Grupo Fictor e a lista de credores
Entre os principais credores da Fictor aparece a Sefer Investimentos DTVM, com direito a receber R$ 430 milhões, segundo documentos do processo. A corretora figura como um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em janeiro.
Contexto regulatório e efeitos do caso Banco Master
A investigação federal apura a atuação de fundos e corretoras supostamente ligados a uma fraude associada ao Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal, no gabinete do ministro Dias Toffoli, e todos os investigados negam irregularidades.
Antes disso, o Fictor tentou adquirir o Master por meio de um aporte estimado em R$ 3 bilhões, com participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos. A liquidação interrompeu a transação e intensificou a crise de confiança, fator que acelerou a busca por proteção judicial.
Recuperação judicial do Grupo Fictor como estratégia jurídica
Para credores, a via da recuperação tende a preservar valor em comparação à falência. Advogados e especialistas em reestruturação empresarial e insolvência, avaliam que a falência alonga prazos e amplia a base de credores, o que dilui retornos.
Os especialistas reforçam que a votação da proposta de pagamento pode levar de seis meses a um ano. Nesse intervalo, a recuperação judicial do Grupo Fictor exige governança rigorosa, transparência de informações e negociação contínua para garantir homologação judicial e reduzir litigiosidade.
Errata:
O Economic News Brasil informa que, após a publicação da reportagem, um porta-voz da American Express esclareceu que a companhia não é credora de nenhuma entidade do Grupo Fictor. Segundo o posicionamento enviado à reportagem, um pedido judicial protocolado em 2 de fevereiro de 2026 listou de forma incorreta a American Express Brasil Assessoria Empresarial Ltda. como credora do grupo. Diante do esclarecimento, a menção à American Express foi retirada do texto.
Atualização: 18h24 de 04 de fevereiro de 2026.





