As ações da Vale encerraram a terça-feira (02) no maior valor nominal já registrado na B3, em um pregão marcado por forte entrada de capital estrangeiro e alta liquidez. Os papéis da mineradora fecharam a R$ 88,99, avanço de 4,9%, superando o topo anterior alcançado na semana passada.
O desempenho teve efeito direto sobre o Ibovespa, que avançou 1,6% no dia. Com peso aproximado de 11% na composição do índice, a valorização da Vale ajudou a sustentar o movimento positivo da Bolsa, em um pregão dominado por investidores institucionais.
Ações da Vale concentram liquidez e lideram ganhos
Além da forte valorização, as ações da Vale lideraram o volume de negócios na B3. Foram cerca de 65,9 mil operações, com giro financeiro de R$ 3,1 bilhões, reforçando o papel do ativo como principal porta de entrada para o investidor estrangeiro no mercado local.
A alta também se refletiu na Bradespar, holding que detém participação relevante na mineradora. As ações da companhia avançaram 4,8%, acompanhando o desempenho da investida e ampliando o efeito multiplicador sobre o setor.
No acumulado de 2026, os papéis da Vale já sobem 23%. Em 12 meses, a valorização chega a 84%, consolidando a mineradora como um dos principais vetores de retorno da Bolsa brasileira no período recente.
Rotação global favorece mineradoras e emergentes
O pano de fundo para o avanço das ações está ligado à rotação global de portfólios iniciada na segunda quinzena de janeiro. Investidores vêm reduzindo exposição a ativos norte-americanos e ampliando posições em mercados emergentes, com foco em empresas ligadas a commodities, ativos reais e metais básicos.
Segundo estrategistas do Itaú BBA, as incertezas geopolíticas envolvendo grandes potências têm levado gestores a buscar maior diversificação geográfica. Esse reposicionamento beneficiou diretamente mercados como o Brasil, mesmo em dias de queda pontual do minério de ferro no exterior.
Na bolsa de Dalian, o contrato mais negociado do minério recuou 1,14%, para 777,5 iuanes por tonelada. Ainda assim, o desempenho da Vale na B3 mostrou dissociação entre o preço da commodity no curto prazo e a leitura estrutural dos investidores.
Ações da Vale e a leitura dos analistas para 2026
Mais cedo, o Itaú BBA elevou o preço-alvo do ADR da Vale para o fim de 2026, de US$ 14 para US$ 19. A revisão indica potencial adicional de valorização de quase 18% em relação aos níveis atuais.
Na avaliação do banco, a tese da mineradora segue ancorada em três pilares: melhora operacional, ambiente favorável para commodities metálicas e um contexto macro que privilegia empresas ligadas à economia real. Para os analistas, a Vale permanece bem posicionada para capturar esse fluxo global.
Com entrada líquida de R$ 26,3 bilhões de investidores estrangeiros apenas em janeiro — o melhor resultado desde o início de 2022 —, as ações da Vale tendem a seguir como um dos principais termômetros do apetite internacional pelo Brasil nos próximos meses.





