Ações de terras raras reagem a plano de Trump para reserva mineral

Imagem de Donald Trump, cujo plano movimentou ações de terras raras reagem a plano de reserva mineral nos EUA
Mineradoras de terras raras nos EUA avançam após anúncio do Project Vault (Foto: Reprodução)

As ações de terras raras ganharam força no pré-mercado dos Estados Unidos nesta terça-feira (03/02) após o presidente Donald Trump anunciar a criação de uma reserva estratégica de minerais críticos. A reação ocorreu poucas horas depois da divulgação dos detalhes do Project Vault, iniciativa que combina capital privado e financiamento público.

Os papéis de empresas ligadas à mineração avançaram antes da abertura oficial das bolsas. A leitura inicial dos investidores aponta para uma tentativa do governo de reforçar a oferta doméstica de insumos usados em cadeias industriais, defesa e tecnologia. Tudo em um cenário de dependência externa ainda elevada de países como a China.

Ações de terras raras e a reação do mercado

Entre as ações de terras raras destaques do dia, a Critical Metals subiu em torno de 5,6% no pré-mercado, enquanto a USA Rare Earth avançou 4,7%. Além disso, a MP Materials registrou alta próxima de 4%, acompanhada por ganhos da Energy Fuels, de 3,5%, e da Idaho Strategic Resources, que saltou cerca de 6,2%.

Para analistas de mercado, o desempenho reflete a expectativa de que políticas públicas voltadas a minerais críticos ampliem a demanda doméstica e reduzam riscos de fornecimento. Ainda assim, operadores ressaltam que os dados se referem apenas ao pré-mercado, sem confirmação do comportamento ao longo do pregão.

Estrutura do Project Vault e foco industrial

O Project Vault foi detalhado nessa segunda-feira (02/02) e descrito como uma reserva estratégica desenhada para atender o setor privado americano. Segundo um funcionário da Casa Branca, o plano prevê a captação de cerca de US$ 1,67 bilhão em capital privado, combinada a um empréstimo de US$ 10 bilhões do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos (Ex-Im Bank).

A proposta totaliza aproximadamente US$ 12 bilhões e busca estimular investimentos em mineração doméstica, processamento e estocagem. A lógica, portanto, é criar um colchão de oferta para setores sensíveis, como veículos elétricos, indústria de defesa e fabricantes de ímãs permanentes.

Ações de terras raras e o fator China

O pano de fundo do anúncio é a forte concentração global da cadeia. A China responde por quase 60% da mineração mundial de terras raras. E, além disso, responde também por mais de 90% da fabricação de ímãs, etapa considerada o principal gargalo industrial.

As terras raras abrangem 17 elementos da tabela periódica com propriedades magnéticas e químicas específicas. Esses materiais estão presentes em smartphones, turbinas eólicas, baterias, sistemas de energia limpa e equipamentos militares. Nesse contexto, ações de terras raras tendem a seguir sensíveis a anúncios de política industrial e comércio exterior.

Ao sinalizar apoio financeiro de longo prazo, o governo tenta criar condições para ampliar a participação americana nesse mercado, hoje dominado por fornecedores asiáticos. Portanto, o efeito prático dessa estratégia dependerá da execução do projeto e do interesse do setor privado nos próximos meses.

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Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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