O faturamento dos shoppings no Brasil alcançou R$ 201 bilhões em 2025, segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), colocando o setor em um novo patamar operacional. O avanço de 1,2% sobre 2024 ocorre em um cenário de consumo mais seletivo, no qual eficiência, ocupação elevada e maior permanência do público ganham peso nas decisões estratégicas.
Os dados fazem parte do Censo Brasileiro de Shopping Centers 2025-2026, divulgado pela entidade, e mostram que a receita acima de R$ 200 bilhões foi atingida pela primeira vez. A leitura do setor aponta um ciclo mais estável, sustentado por vendas, tráfego qualificado e pela diversificação de serviços, lazer e alimentação dentro dos empreendimentos.
Estrutura sustenta o faturamento dos shoppings
A base física ajuda a explicar o desempenho do faturamento dos shoppings. O país encerrou 2025 com 658 empreendimentos em operação, espalhados por 253 cidades, somando 18,3 milhões de metros quadrados de ABL (Área Bruta Locável). A taxa de ocupação média atingiu 95,4%, um patamar que diminui a inatividade e aumenta a previsibilidade financeira.
Outro indicador relevante é o número de lojas, que atingiu 124,7 mil unidades, com crescimento médio de 31,2% a cada cinco anos. Esse avanço amplia o mix comercial e reforça a capacidade dos centros de compras de absorver marcas, franquias e operações de serviços, inclusive em cidades médias.
Consumo, permanência e leitura econômica
O comportamento do público também contribuiu para o desempenho do faturamento dos shoppings. O tempo médio de permanência dos consumidores chegou a 80 minutos, o maior já registrado pelo segmento. Para a Abrasce, esse dado reflete a consolidação dos empreendimentos como polos de conveniência, experiência e convivência urbana.
“Essa capacidade de adaptação ágil, incorporando opções focadas em experiência, foi o que permitiu ao setor fechar 2025 com mais espaço na vida do brasileiro”, afirmou Glauco Humai, presidente da Abrasce. A entidade associa ainda o desempenho ao ambiente de emprego mais favorável e à alta dos rendimentos do trabalho, fatores que sustentam o consumo presencial.
Faturamento dos shoppings e os próximos ajustes
Para 2026, a Abrasce projeta crescimento de 1,4% no faturamento dos shoppings e a inauguração de 11 novos empreendimentos, sendo seis no Sudeste. A expansão ocorre em ritmo calculado, diante de pressões do comércio eletrônico e do avanço das apostas online, que disputam parcela do gasto do consumidor.
Nesse contexto, o setor entra no próximo ciclo menos dependente de volume puro. A atenção passa a se concentrar na produtividade por metro quadrado, no desenho do mix e na integração entre consumo, serviços e lazer. O faturamento dos shoppings, mais do que um número, reflete escolhas estratégicas em um varejo cada vez mais disputado.



