Banco da Amazônia vê calotes dispararem e lucro cair 84,5%

O Banco da Amazônia teve queda de 84,5% no lucro após avanço dos calotes, aumento das provisões e piora do crédito ligado ao agro e às empresas da região Norte.
Imagem da fachada do Banco da Amazônia para ilustrar uma matéria jornalística sobre a queda no lucro do Banco da Amazônia no 1º trimestre de 2026.
Banco da Amazônia sofre com alta da inadimplência e lucro cai. (Imagem: divulgação/Banco da Amazônia)

O Banco da Amazônia entrou em 2026 sob pressão crescente após a disparada dos calotes reduzir fortemente o lucro e ampliar o risco sobre operações ligadas ao agro e ao crédito regional da Amazônia. O banco registrou lucro líquido de R$ 47,5 milhões, queda de 84,5% no primeiro trimestre.

O principal sinal de deterioração veio da inadimplência acima de 90 dias, que subiu para 5,39% em março, contra 2,92% um ano antes. O avanço expôs o impacto dos juros elevados, da volatilidade cambial e da pressão sobre commodities e empresas da região Norte.

O resultado do Banco da Amazônia também aumentou o alerta sobre bancos com maior exposição ao agronegócio e ao financiamento empresarial regional. Além disso, o mercado financeiro passou a monitorar com mais atenção instituições ligadas ao crédito produtivo em setores pressionados pela desaceleração econômica.

Inadimplência no Banco da Amazônia acelera com pressão sobre empresas

O Banco da Amazônia atribuiu parte da piora do lucro ao ambiente econômico mais restritivo e aos reflexos da volatilidade cambial sobre commodities.

Segundo a instituição, o cenário também foi impactado pelo crescimento das operações em recuperação judicial no segmento empresarial, elevando a necessidade de provisões prudenciais.

A deterioração da carteira foi impulsionada por uma combinação de fatores:

  • juros elevados por mais tempo
  • alta do petróleo
  • volatilidade cambial
  • pressão sobre commodities
  • aumento das recuperações judiciais

O ambiente passou a atingir diretamente empresas e produtores ligados ao agronegócio, exportação, mineração e cadeias regionais dependentes de crédito.

A disparada da inadimplência ganhou peso porque o Banco da Amazônia atua como uma das principais instituições de financiamento da região Norte. A piora da carteira indica aumento do risco justamente em setores relevantes para a atividade econômica amazônica.

Crédito do Norte desacelera e operações do FNO perdem força

As contratações de crédito somaram R$ 4 bilhões no primeiro trimestre, redução de 5,8% na comparação anual. As operações do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) também desaceleraram. O volume caiu para R$ 2,6 bilhões, contra R$ 2,8 bilhões no mesmo período de 2025.

O enfraquecimento ganhou relevância porque o banco ocupa posição estratégica no financiamento regional da Amazônia.

Boa parte das operações envolve:

  • agronegócio
  • infraestrutura
  • comércio regional
  • pequenos negócios
  • mineração

A redução do ritmo do crédito pode ampliar a cautela empresarial e reduzir investimentos em uma região mais dependente de financiamento público e crédito subsidiado.

O movimento também sugere postura mais conservadora do banco diante do avanço do risco de inadimplência e do aumento das provisões.

Rentabilidade do Banco da Amazônia perde força em 2026

A deterioração operacional atingiu diretamente a rentabilidade da instituição. O retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE) caiu para 12,2%, ante 19,6% um ano antes.

O indicador mostra que o banco passou a consumir mais capital para absorver perdas potenciais e reforçar provisões diante do aumento dos calotes.

A pressão sobre resultados ocorre justamente quando bancos expostos ao agro enfrentam ambiente mais desafiador. Juros elevados, desaceleração econômica e maior número de recuperações judiciais passaram a elevar o risco em operações empresariais e rurais.

O lucro Banco da Amazônia já vinha sendo monitorado pelo mercado após o aumento gradual da inadimplência ao longo de 2025. O novo balanço mostrou que a deterioração da carteira acelerou no início de 2026.

Mesmo sob pressão, o Banco da Amazônia segue como peça relevante para o financiamento do Norte do país e para operações ligadas ao desenvolvimento regional amazônico.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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