Lucro da Uber no trimestre frustra expectativas e muda o tom do balanço

O lucro da Uber no trimestre ficou abaixo do consenso, apesar do crescimento da operação. Guidance mais fraco e troca no CFO reforçaram a cautela do mercado. Continue lendo e saiba mais.
Lucro da Uber no trimestre em destaque durante divulgação do balanço
Resultados trimestrais da Uber ficaram abaixo das expectativas do mercado. (foto: Flickr/Ivan Radic)

O lucro da Uber no trimestre ficou abaixo das expectativas e alterou a forma como o mercado passou a enxergar o balanço da companhia. No quarto trimestre, a Uber Technologies registrou lucro líquido de US$ 296 milhões, equivalente a US$ 0,14 por ação, um resultado muito inferior ao observado no mesmo período do ano anterior, quando a empresa havia reportado US$ 6,88 bilhões, ou US$ 3,21 por ação.

A diferença não se explicou apenas por efeitos contábeis. Mesmo ao excluir itens não recorrentes, o lucro ajustado ficou em US$ 0,71 por ação, abaixo do consenso de US$ 0,85 apurado pela FactSet. O dado indicou que, embora a empresa siga crescendo, a geração de resultado avançou em ritmo menor do que o esperado.

Lucro da Uber no trimestre expõe dificuldade de converter crescimento em resultado

Do lado operacional, os números mostram uma companhia ainda em expansão. A receita somou US$ 14,37 bilhões no trimestre, crescimento de 20% na comparação anual e ligeiramente acima da expectativa de mercado, de US$ 14,32 bilhões. Além disso, a demanda pelos serviços da plataforma permaneceu elevada ao longo do período.

Esse avanço aparece com mais clareza quando se observa o volume de negócios intermediados pela empresa. As reservas brutas (indicador que reflete o valor total das transações realizadas na plataforma) alcançaram US$ 54,1 bilhões, alta anual de 22%. O mercado, no entanto, reagiu menos ao tamanho da operação e mais ao fato de que esse crescimento não se traduziu, na mesma proporção, em lucro por ação.

Guidance mais fraco reforça cautela para o início do ano

A leitura mais contida dos lucro da Uber no trimestre ganhou força com as projeções divulgadas para o primeiro trimestre de 2026. A Uber estimou lucro ajustado entre US$ 0,65 e US$ 0,72 por ação, intervalo abaixo do consenso de US$ 0,75, sinalizando um início de ano com pressão maior sobre a rentabilidade.

Ao mesmo tempo, a companhia indicou que o nível de atividade deve permanecer elevado. As reservas brutas projetadas variam entre US$ 52 bilhões e US$ 53,5 bilhões, acima da estimativa de US$ 51,39 bilhões. Já no trimestre encerrado, esse volume foi sustentado por um crescimento de 22% no número de viagens, que atingiu 3,8 bilhões, além de uma alta de 18% na base de usuários ativos mensais. A mensagem implícita é clara: a demanda segue forte, mas o desafio está na eficiência financeira.

Lucro da Uber no trimestre ganha relevância com troca no comando financeiro

O balanço também veio acompanhado de uma mudança relevante na liderança. A Uber anunciou Balaji Krishnamurthy como novo diretor financeiro, em substituição a Prashanth Mahendra-Rajah, que deixará o cargo em 16 de fevereiro e permanecerá na companhia até 1º de julho como assessor sênior.

A transição, portanto, ocorre em um momento sensível. Com o lucro da Uber no trimestre abaixo do consenso e um guidance mais conservador, o mercado tende a acompanhar de perto como a nova liderança financeira pretende ajustar custos e margens sem comprometer o crescimento que sustenta a operação da empresa.

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Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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