Única mineradora de terras raras do Brasil negocia financiamento de US$ 565 mi com os EUA

Serra Verde, a mineradora de terras raras do Brasil, fechou um empréstimo de US$ 565 milhões com os EUA, fortalecendo sua estrutura financeira e ampliando o interesse internacional sobre o ativo. Continue lendo e saiba mais.
Serra Verde, mineradora de terras raras do Brasil, em operação em Goiás
Unidade da Serra Verde em Goiás, única operação comercial de terras raras em atividade no país. (Foto: Divulgação/Serra Verde)

A Serra Verde, única mineradora de terras raras do Brasil, concluiu nesta semana a estruturação de um empréstimo de US$ 565 milhões com a Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC), em uma operação que reforça sua capacidade financeira e amplia o interesse internacional sobre o ativo brasileiro.

O valor ficou 22% acima do montante inicialmente aprovado pelo conselho da agência americana no ano passado. Segundo a empresa, os recursos serão direcionados a melhorias operacionais na mina de Pela Ema, em Goiás, onde a Serra Verde mantém a única operação comercial de terras raras em atividade no país.

Mineradora de terras raras do Brasil e o empréstimo de US$ 565 mi

O contrato inclui uma opção para que o governo dos Estados Unidos, por meio da DFC, adquira uma participação acionária minoritária na Serra Verde. Apesar disso, a empresa afirma que a cláusula não prevê interferência na gestão nem altera a estrutura decisória do negócio.

Ricardo Grossi, diretor de operações da Serra Verde, afirmou que as negociações se estenderam por cerca de 18 meses. Além disso, segundo ele, o formato do financiamento preserva o controle dos atuais acionistas e garante capital de longo prazo para sustentar a expansão industrial.

Serra Verde reforça caixa e acelera planos industriais

A Serra Verde, que iniciou a mineração em 2024, projeta elevar a produção anual para 6.500 toneladas métricas de óxidos de terras raras no Brasil até o final de 2027. Além disso, internamente, a companhia avalia dobrar essa capacidade em um horizonte de quatro anos. A depender segundo a empresa, das condições de mercado e do avanço dos investimentos.

Ao mesmo tempo, a Serra Verde renegocia contratos de fornecimento firmados anteriormente com clientes chineses. Grossi afirmou que esses acordos devem ser revisados até o fim do ano. O que, portanto, pode abrir espaço para contratos de offtake com empresas ocidentais interessadas em diversificar suas cadeias de suprimentos.

Mineradora de terras raras do Brasil na estratégia dos EUA para minerais críticos

O financiamento ocorre em meio ao reforço da política americana voltada à cadeia de minerais críticos. O governo dos EUA tem ampliado o apoio financeiro a empresas do setor como forma de reduzir a dependência de fornecedores asiáticos, em especial da China. Assim, combinando empréstimos e participações acionárias em projetos considerados estratégicos.

Nesse contexto, a Serra Verde avalia uma eventual participação no Project Vault, iniciativa que prevê a formação de estoques estratégicos de minerais críticos. O projeto combina US$ 1,67 bilhão em capital privado com um financiamento de US$ 10 bilhões do Banco de Exportação e Importação dos EUA.

Repercussões para a Serra Verde e o setor mineral

Para a mineradora de terras raras do Brasil, o financiamento amplia a previsibilidade financeira e fortalece a posição da Serra Verde em negociações comerciais futuras. O acesso a capital de longo prazo reduz a pressão por vendas antecipadas e cria mais margem para decisões sobre expansão produtiva e contratos de fornecimento.

Com isso, a Serra Verde encerra o ciclo de captação em condição diferenciada frente a outros projetos do setor, ao combinar ativo em operação, estrutura financeira robusta e maior peso institucional em um mercado ainda concentrado fora da Ásia.

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Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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