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Argentina defende flexibilidade do Mercosul e amplia acordos bilaterais

A flexibilidade do Mercosul voltou ao debate após a Argentina fechar acordo com os EUA. O governo Milei defende acordos bilaterais e redesenha sua estratégia comercial externa.
Imagem da bandeira da ARGENTINA para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Flexibilidade do Mercosul.
(Imagem: Angelica Reyes/Unsplash)

A flexibilidade do Mercosul ganhou novo peso político nesta sexta-feira (6), quando o governo da Argentina confirmou que acordos bilaterais seguem compatíveis com as regras do bloco. A posição foi apresentada pelo chanceler Pablo Quirno durante a divulgação do tratado firmado com os Estados Unidos, que prevê redução de tarifas e cooperação em investimentos.

O acordo com Washington surge como um teste prático da estratégia comercial adotada pela gestão de Javier Milei. Ao defender a flexibilidade do Mercosul logo após o anúncio, a Argentina sinaliza que pretende ampliar sua autonomia em negociações externas, sem romper formalmente com os compromissos regionais assumidos no bloco sul-americano.

Flexibilidade do Mercosul e a leitura argentina

Segundo Pablo Quirno, “todos os acordos bilaterais são permitidos dentro do Mercosul”, reforçando a interpretação de que o tratado com os EUA não viola as normas vigentes. A fala dialoga com um debate antigo no bloco sobre regras comerciais, tarifas externas comuns e a capacidade de cada país conduzir sua própria política comercial.

Na prática, a defesa da flexibilidade do Mercosul atende a um objetivo interno da Argentina. A estratégia busca acelerar acordos que ampliem o acesso a mercados, atraiam investimentos estrangeiros e fortaleçam cadeias produtivas estratégicas. Ao mesmo tempo, o discurso evita confronto direto com parceiros como Brasil e Paraguai, mas pressiona por uma leitura menos restritiva do tratado regional.

Acordo com os EUA e setores estratégicos

O tratado prevê que a Argentina reduza ou zere tarifas sobre milhares de produtos americanos. O país deve levar as alíquotas para perto de 2%. Também estão previstas cotas isentas para 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos, ampliando o comércio bilateral entre os países.

Em contrapartida, os Estados Unidos eliminarão tarifas sobre produtos agrícolas argentinos. O acordo também estabelece um teto de 10% para eventuais sobretaxas aplicadas a outros bens. Além disso, prevê cooperação em materiais críticos, com investimentos em mineração, exploração, refino, processamento e exportação, alinhados à estratégia americana de reduzir a dependência da China em insumos para energia, tecnologia e defesa.

Flexibilidade do Mercosul no tabuleiro geopolítico

Apesar da aproximação com Washington, o governo argentino afirma que a flexibilidade do Mercosul não exclui a China. Pablo Quirno deixou claro que investimentos chineses no setor mineral seguem possíveis, preservando o equilíbrio entre grandes parceiros comerciais.

Do ponto de vista analítico, a aposta argentina sugere um Mercosul mais adaptável a agendas nacionais distintas. Se a flexibilidade do Mercosul avançar como interpretação dominante, o bloco pode caminhar para um modelo menos rígido. Assim, os acordos bilaterais convivem com a integração regional — uma mudança que tende a influenciar futuras negociações comerciais na América do Sul.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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