Na primeira semana de janeiro, a portabilidade de crédito passou a operar dentro do ecossistema do Open Finance no Brasil. A nova funcionalidade permite a transferência de empréstimos pessoais entre instituições financeiras. Todo o processo ocorre de forma digital. Além disso, o prazo máximo caiu para cinco dias úteis.
Neste primeiro momento, o serviço abrange apenas operações de crédito pessoal sem consignação. Mesmo assim, a estreia já altera a relação entre clientes e bancos. Isso porque o procedimento, fora do Open Finance, costuma levar entre 20 e 25 dias.
Portabilidade de crédito e a nova dinâmica bancária
Com a entrada da portabilidade de crédito no Open Finance, o mercado de empréstimos passa a operar sob outra lógica. Agora, o cliente inicia o processo diretamente no aplicativo do banco de destino. Assim, não precisa contatar a instituição de origem.
Depois disso, o consumidor autoriza o compartilhamento de dados financeiros. Na sequência, o sistema exibe os contratos elegíveis. Também permite comparar taxa de juros, prazo, valor das parcelas e custo total. Como resultado, cresce a competição por clientes com histórico conhecido.
A ferramenta deve ganhar novas frentes. A ideia do Open Finance é chegar ao crédito imobiliário, ou seja, abarcar o mercado de uma maneira muito ampla do ponto de vista de portabilidade.
Redução de prazos e efeito sobre a concorrência
Um dos principais avanços está no tempo de execução. Pela nova regra, a portabilidade de crédito deve ser concluída em até cinco dias úteis. Desse total, três dias ficam reservados para eventual contraproposta do banco de origem. Os outros dois são destinados à liquidação, caso o cliente mantenha a decisão.
Atualmente, no crédito sem garantia, as taxas variam entre 4% e 20%. Para a Associação Open Finance Brasil, o novo modelo cria espaço para ajustes nesses níveis. No entanto, o efeito depende da adesão das instituições e do comportamento dos consumidores.
Portabilidade de crédito no contexto do Open Finance
O lançamento ocorre em um ambiente já escalável. Hoje, o Open Finance reúne cerca de 100 milhões de consentimentos únicos ativos. Esse volume corresponde a aproximadamente 30 milhões de pessoas com ao menos uma conta conectada. Por isso, a portabilidade de crédito já nasce com alcance amplo.
O cronograma regulatório prevê a inclusão do consignado do INSS a partir de novembro de 2026. Outras modalidades, como o crédito ao trabalhador, ainda não fazem parte do plano oficial. Ainda assim, segundo a associação, há demanda do mercado.
No curto prazo, a portabilidade de crédito tende a intensificar a competição bancária. Com isso, cresce a pressão por condições mais eficientes. Mais adiante, à medida que novas linhas forem incorporadas, o Open Finance passa a organizar de forma permanente o mercado de crédito no país.





