A retenção de estagiários aparece como o principal desafio na gestão de programas de estágio nas empresas brasileiras, segundo levantamento do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). Dados coletados entre 1º de julho e 14 de outubro de 2025 indicaram que 26% dos responsáveis por estágio veem a retenção como o maior obstáculo, superando questões como valor da bolsa e adaptação cultural.
O estudo ouviu 260 profissionais de recursos humanos e apontou que a dificuldade em manter estudantes até o fim do ciclo compromete a formação esperada e os resultados do programa. Ainda assim, 36% afirmaram não enfrentar entraves formais, o que sugere diferenças relevantes entre modelos de gestão e proposta de valor ao estagiário no mercado de trabalho.
Retenção de estagiários e os gargalos do estágio
Além da taxa de evasão, o levantamento mostra que 17% das empresas citam o valor da bolsa como desafio, enquanto 12% apontam dificuldades na transmissão da cultura organizacional. Condições de trabalho e sobrecarga dos gestores também aparecem entre os fatores citados.
Para 63% dos entrevistados, muitos estudantes desistem porque a oferta não atende às expectativas, sobretudo em remuneração, benefícios e desenvolvimento profissional. Esse descompasso ajuda a explicar por que a rotatividade de estagiários segue elevada mesmo em programas com boa taxa de efetivação.
Critérios de seleção e perfil buscado
Na contratação, as empresas priorizam soft skills. O interesse em aprender lidera com 37% das respostas, à frente de disciplina, comportamento socioemocional e facilidade de adaptação. Conhecimento técnico aparece com peso menor, citado por 8%.
Na efetivação, a lógica se mantém. Postura profissional lidera os critérios, seguida por comprometimento com resultados e proatividade. Para 84% dos profissionais ouvidos, a abertura ao aprendizado contínuo pesa mais do que domínio de ferramentas específicas.
Papel da gestão na retenção dos estagiários
Mesmo com mais da metade das empresas efetivando acima de 50% dos estagiários, quase metade relata prejuízos quando não consegue manter o jovem até o fim do ciclo. O formato presencial é visto como mais favorável à efetivação por 83%, embora 55% reconheçam a preferência dos estudantes por modelos flexíveis.
O acompanhamento direto também pesa. Para 78% dos entrevistados, o desenvolvimento depende mais do gestor do que do formato de trabalho. Ao mesmo tempo, 63% dizem que líderes não conseguem dedicar atenção suficiente, e 85% defendem treinamento específico para essa função.
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Rotatividade de estagiários e próximos passos
Diante desse quadro, a retenção de estagiários tende a permanecer elevada onde a proposta de aprendizado, acompanhamento e crescimento não se conecta às expectativas dos estudantes. Portanto, de acordo com o CIEE, programas mais estruturados, gestores preparados e clareza sobre efetivação surgem como caminhos para reduzir perdas. E, por consequência, elevar o retorno do investimento em talentos.





