IPCA de janeiro 2026 mantém taxa mensal e eleva leitura anual

O IPCA de janeiro abriu 2026 com estabilidade mensal, mas deixou claro que a inflação segue desconfortável no horizonte anual. A pressão de transportes e serviços compensou o alívio na energia elétrica, mantendo o índice em patamar que exige atenção do mercado e do Banco Central. Continue lendo e saiba mais.
IPCA janeiro 2026 por grupos de consumo
Transportes urbanos concentram maior impacto no IPCA de janeiro de 2026 (Foto: Ilustrativa)

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro de 2026 registrou alta de 0,33%, repetindo o resultado observado em dezembro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicados nesta terça-feira (10/02). Embora o índice tenha mantido a taxa mensal, a leitura anual avançou, com o acumulado em 12 meses passando de 4,26% para 4,44%.

Na comparação com janeiro de 2025, quando a variação foi de 0,16%, o resultado indica um início de ano mais pressionado, refletindo o peso de serviços e combustíveis, parcialmente compensado por alívio em itens regulados.

IPCA janeiro 2026: o que puxou a inflação no mês

A composição do índice mostra que a inflação de janeiro não foi homogênea. Alguns grupos concentraram os principais vetores de pressão, com impacto direto sobre o resultado final. Entre eles, temos:

  • Transportes: alta de 0,60%, com impacto de 0,12 ponto percentual no índice geral
  • Combustíveis: gasolina subiu 2,06% e etanol avançou 3,44%
  • Comunicação: variação de 0,82%, a maior entre os grupos
  • Saúde e cuidados pessoais: alta de 0,70%, influenciada por planos de saúde (0,49%) e artigos de higiene pessoal (1,20%)

Esses dados indicam que itens ligados à mobilidade e serviços seguiram exercendo pressão relevante sobre o índice, mesmo em um mês sem aceleração da taxa cheia.

Inflação oficial em janeiro e os fatores de alívio

Apesar das pressões, o IPCA de janeiro também refletiu quedas importantes, que ajudaram a conter o resultado no primeiro mês de 2026. Esses recuos tiveram origem, sobretudo, em itens regulados e serviços específicos. São eles:

  • Habitação: queda de 0,11%, puxada pela redução de 2,73% na energia elétrica residencial
  • Vestuário: recuo de 0,25% no mês
  • Passagens aéreas: queda de 8,90%
  • Transporte por aplicativo: retração de 17,23%

A mudança da bandeira tarifária da energia elétrica para verde foi determinante para o desempenho de habitação, funcionando como amortecedor relevante do índice no início do ano.

IPCA de janeiro no recorte regional e na leitura de 2026

O comportamento regional do índice reforça a leitura de inflação heterogênea, com diferenças claras entre capitais e regiões metropolitanas.

  • Maior variação regional: Rio Branco, com 0,81%
  • Menor variação regional: Belém, com 0,16%
  • São Paulo: alta de 0,28%, com o maior peso no cálculo nacional

No acumulado em 12 meses, o IPCA de janeiro de 2026 consolidou aceleração da inflação oficial, reforçando a atenção do mercado para a dinâmica de serviços e custos administrados. Analistas acompanham esse comportamento por sua relação direta com expectativas inflacionárias e decisões de política monetária ao longo do ano.

Tendência da inflação medida pelo IBGE

O desenho do índice indica que alívios pontuais ajudam no curto prazo, mas não anulam a pressão estrutural em serviços. O IPCA de janeiro, assim, inaugura o ano de 2026 com estabilidade mensal, porém com uma leitura anual que exige acompanhamento atento.

Clique aqui e confira, na íntegra, o IPCA de janeiro do IBGE.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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