O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro de 2026 registrou alta de 0,33%, repetindo o resultado observado em dezembro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicados nesta terça-feira (10/02). Embora o índice tenha mantido a taxa mensal, a leitura anual avançou, com o acumulado em 12 meses passando de 4,26% para 4,44%.
Na comparação com janeiro de 2025, quando a variação foi de 0,16%, o resultado indica um início de ano mais pressionado, refletindo o peso de serviços e combustíveis, parcialmente compensado por alívio em itens regulados.
IPCA janeiro 2026: o que puxou a inflação no mês
A composição do índice mostra que a inflação de janeiro não foi homogênea. Alguns grupos concentraram os principais vetores de pressão, com impacto direto sobre o resultado final. Entre eles, temos:
- Transportes: alta de 0,60%, com impacto de 0,12 ponto percentual no índice geral
- Combustíveis: gasolina subiu 2,06% e etanol avançou 3,44%
- Comunicação: variação de 0,82%, a maior entre os grupos
- Saúde e cuidados pessoais: alta de 0,70%, influenciada por planos de saúde (0,49%) e artigos de higiene pessoal (1,20%)
Esses dados indicam que itens ligados à mobilidade e serviços seguiram exercendo pressão relevante sobre o índice, mesmo em um mês sem aceleração da taxa cheia.
Inflação oficial em janeiro e os fatores de alívio
Apesar das pressões, o IPCA de janeiro também refletiu quedas importantes, que ajudaram a conter o resultado no primeiro mês de 2026. Esses recuos tiveram origem, sobretudo, em itens regulados e serviços específicos. São eles:
- Habitação: queda de 0,11%, puxada pela redução de 2,73% na energia elétrica residencial
- Vestuário: recuo de 0,25% no mês
- Passagens aéreas: queda de 8,90%
- Transporte por aplicativo: retração de 17,23%
A mudança da bandeira tarifária da energia elétrica para verde foi determinante para o desempenho de habitação, funcionando como amortecedor relevante do índice no início do ano.
IPCA de janeiro no recorte regional e na leitura de 2026
O comportamento regional do índice reforça a leitura de inflação heterogênea, com diferenças claras entre capitais e regiões metropolitanas.
- Maior variação regional: Rio Branco, com 0,81%
- Menor variação regional: Belém, com 0,16%
- São Paulo: alta de 0,28%, com o maior peso no cálculo nacional
No acumulado em 12 meses, o IPCA de janeiro de 2026 consolidou aceleração da inflação oficial, reforçando a atenção do mercado para a dinâmica de serviços e custos administrados. Analistas acompanham esse comportamento por sua relação direta com expectativas inflacionárias e decisões de política monetária ao longo do ano.
Tendência da inflação medida pelo IBGE
O desenho do índice indica que alívios pontuais ajudam no curto prazo, mas não anulam a pressão estrutural em serviços. O IPCA de janeiro, assim, inaugura o ano de 2026 com estabilidade mensal, porém com uma leitura anual que exige acompanhamento atento.
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