A deflação na China voltou ao radar nesta quarta-feira (11/02), após o índice de preços ao consumidor subir apenas 0,2% em janeiro na comparação anual. O dado veio abaixo da expectativa de 0,4% e marcou forte desaceleração frente aos 0,8% registrados em dezembro.
Além disso, o índice de preços ao produtor recuou 1,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Embora a queda tenha sido menor que a prevista pelo mercado, o resultado mantém a indústria chinesa sob pressão e reforça o desafio estrutural entre oferta e demanda na segunda maior economia do mundo.
Deflação na China e o sinal vindo da indústria
O comportamento do índice de preços ao produtor (PPI) revela que o setor manufatureiro segue operando com excesso de capacidade. Ainda que o recuo tenha diminuído pelo segundo mês consecutivo, a sequência negativa se estende há anos, refletindo margens comprimidas e menor poder de repasse.
Segundo Zichun Huang, economista da Capital Economics, “com os desequilíbrios entre oferta e demanda persistindo, duvidamos que as pressões deflacionárias da China desapareçam tão cedo”. A avaliação sugere que a demanda doméstica permanece frágil, apesar dos estímulos já anunciados por Pequim.
Inflação chinesa e consumo doméstico
No lado do consumidor, a alta mensal de 0,2% repetiu o desempenho de dezembro e ficou abaixo da projeção de 0,3%. De acordo com Dong Lijuan, do Escritório Nacional de Estatísticas, a desaceleração anual refletiu uma base de comparação elevada e queda mais intensa nos preços de energia.
Os preços dos alimentos recuaram 0,7%, pressionados por carne suína e ovos, enquanto frutas e vegetais frescos avançaram. Já os serviços subiram 0,1% no ano. O efeito do Ano Novo Lunar, que em 2025 ocorreu em janeiro, também distorce a base comparativa, pois neste ano o feriado será em fevereiro.
Deflação na China e política monetária
Diante desse cenário, cresce o debate sobre a política monetária chinesa. Lynn Song, economista-chefe do ING para a Grande China, afirmou que “ainda estamos no caminho certo para ver uma recuperação geral da inflação em 2026”, projetando alta de 0,9% no acumulado anual.
O economista acrescentou que há “um argumento sólido” para maior afrouxamento monetário este ano, embora tenha alertado para riscos ligados à implementação das políticas internas e à trajetória dos preços globais.
No curto prazo, a deflação na China expõe um equilíbrio delicado entre estímulo ao consumo e ajuste da capacidade industrial. O ritmo de reação do crédito, a renda das famílias e o comportamento da energia serão determinantes. Assim, a deflação na China segue como um dos principais termômetros da estabilidade econômica asiática em 2026.



