Mercado de trabalho dos EUA inicia ano sob incerteza

O mercado de trabalho dos EUA deve abrir 70 mil vagas em janeiro, com desemprego em 4,4%. Dados podem redefinir expectativas sobre juros e crescimento.
Mercado de trabalho dos EUA em janeiro com desemprego em 4,4%
O mercado de trabalho dos EUA deve abrir 70 mil vagas em janeiro. Imagem: Canva

O mercado de trabalho dos EUA deve ter aberto 70 mil vagas em janeiro, segundo projeções ouvidas pela Reuters, após criação de 50 mil postos em dezembro. O relatório oficial será divulgado nesta quarta-feira (11/02), depois de ter sido adiado por uma paralisação de três dias do governo federal.

Além disso, a taxa de desemprego deve ter permanecido em 4,4%, enquanto o crescimento salarial anual tende a desacelerar. Para economistas consultados pela Reuters, a combinação de tarifas de importação e regras migratórias mais rígidas ajudou a conter o ritmo de contratação no início do ano.

Mercado de trabalho dos EUA e o efeito sazonal

Tradicionalmente, janeiro concentra cortes ligados ao fim das contratações temporárias de festas. No entanto, como o varejo e empresas de entrega contrataram menos no fim de 2025, as demissões podem ter sido menores agora. Esse fator técnico pode elevar o saldo líquido do payroll, ainda que o ritmo geral siga moderado.

As estimativas variam de perda de 10 mil vagas a abertura de 135 mil postos, o que revela divergência entre analistas. Algumas pesquisas privadas, segundo a Reuters, indicaram até redução no emprego no período, reforçando a leitura de um cenário heterogêneo.

Emprego nos Estados Unidos sob pressão de política comercial

Embora o Produto Interno Bruto (PIB) tenha mostrado expansão consistente, o mercado laboral perdeu tração. Economistas afirmam que a incerteza sobre política comercial e a aplicação mais rigorosa das leis de imigração restringiram a oferta de trabalhadores, afetando setores intensivos em mão de obra.

Por outro lado, os mesmos analistas avaliam que os cortes de impostos prometidos pelo governo podem estimular contratações ao longo do ano. Ainda assim, a combinação entre inflação elevada, juros restritivos e cautela empresarial mantém o ambiente de decisão mais seletivo.

Mercado de trabalho dos EUA e sinais para o Federal Reserve

O desempenho do mercado de trabalho dos EUA também orienta expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed). Caso o avanço das vagas confirme moderação, o banco central pode ganhar margem para discutir ajustes na política monetária, especialmente diante de um crescimento salarial mais contido.

Enquanto isso, os mercados financeiros aguardam o dado oficial para recalibrar projeções de taxa de juros, consumo das famílias e atividade econômica. Em síntese, o comportamento do mercado laboral neste início de ano será determinante para definir o ritmo da economia norte-americana nos próximos meses.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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