O lucro da Ambev em 2025 somou R$ 15,1 bilhões, alta de 1,6% frente a 2024, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (12/02). O resultado anual avançou mesmo com queda de 3,3% nos volumes totais, em um cenário marcado por câmbio volátil e ajustes contábeis ligados à Argentina.
No quarto trimestre de 2025, porém, o ritmo foi diferente. O lucro líquido ajustado ficou em R$ 4,6 bilhões, recuo de 8,0%. Além disso, a retração refletiu principalmente a piora do resultado financeiro, que fechou o período negativo em R$ 1,08 bilhão.
Lucro da Ambev em 2025 foi sustentado por preço e mix
A dinâmica do ano mostra como a companhia compensou menor volume com captura de valor. A receita líquida orgânica cresceu 4,0%, enquanto a receita líquida por hectolitro (ROL/hl) avançou 7,5%, impulsionada por mix mais favorável e estratégia de premiumização.
Esse avanço ajudou a sustentar o EBITDA ajustado, que cresceu 5,6% em 2025. A margem ficou em 33,4%, expansão de 50 pontos-base. Segundo o CEO Carlos Lisboa, a execução consistente da estratégia permitiu expansão de margem mesmo em ambiente desafiador.
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Pressão financeira e efeito Argentina
Se a operação mostrou força para os lucros da Ambev em 2025, o financeiro pesou. No acumulado do ano, o resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 4,0 bilhões, pressionado por perdas com instrumentos derivativos, variações cambiais e custos de hedge relacionados à exposição em dólar.
Além disso, a aplicação da norma contábil de hiperinflação (IAS 29) nas operações argentinas reduziu o lucro anual em R$ 748,7 milhões. No quarto trimestre, inclusive, o impacto foi de R$ 284,6 milhões.
No Brasil, os volumes recuaram 4,1% em 2025, porém, as marcas premium cresceram 17% e as cervejas sem álcool avançaram cerca de 30%. O reposicionamento do portfólio elevou o valor por hectolitro e ajudou a equilibrar o desempenho.
Lucro da Ambev em 2025 em um ano de ajuste
O balanço geral dos lucros da Ambev em 2025 revela um ano de compensações: menos volume, mais valor por unidade; pressão cambial, mas disciplina de margem. O fluxo de caixa operacional somou R$ 24,4 bilhões, queda de 6,3%, refletindo a retração de volumes e impactos no capital de giro.
Com custos ainda sensíveis a commodities e câmbio, o foco tende a permanecer na gestão de preço, no fortalecimento das marcas premium e na eficiência operacional. Elementos, portanto, que determinarão a capacidade de sustentar rentabilidade da empresa em 2026.





