O prejuízo da Raízen alcançou R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026. A divulgação aconteceu na noite de quinta-feira (13), multiplicando por seis a perda de R$ 2,57 bilhões registrada um ano antes. O resultado amplia a pressão sobre a estrutura financeira da companhia em um cenário adverso para o setor sucroenergético.
Além da perda contábil, a Raízen reportou recuo operacional. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA ajustado) somou R$ 3,15 bilhões. É uma queda de 3,3% na comparação anual, enquanto a receita líquida caiu 9,7%, para R$ 60,4 bilhões entre outubro e dezembro.
Prejuízo da Raízen e pressão operacional
O desempenho reflete, segundo a Raízen, um ambiente macroeconômico desafiador. A Raízen atribuiu o resultado a impactos negativos sobre a produtividade agrícola e, mais recentemente, à queda nos preços do açúcar e do etanol, dois pilares da geração de caixa.
Esse cenário afeta diretamente o fluxo operacional. Embora o resultado operacional permaneça positivo, a combinação de menor faturamento e margens comprimidas reduz a capacidade de absorver oscilações de mercado, sobretudo em um setor exposto a commodities agrícolas e variações cambiais.
Endividamento e alternativas estratégicas
Em paralelo ao resultado, a companhia informou que a dívida líquida atingiu R$ 55,3 bilhões entre abril e dezembro. Nesse período, aconteceu um avanço de 43,3% frente ao mesmo período de 2024. O aumento da alavancagem financeira ocorre em um contexto de juros elevados e maior seletividade de crédito.
Diante desse quadro, a Raízen comunicou que “selecionou assessores financeiros e legais com o objetivo de conduzir uma avaliação de alternativas estruturais que mantenham a sua viabilidade e competitividade no longo prazo e interagir com os investidores”. A sinalização abre espaço para revisão de ativos, eventuais desinvestimentos ou ajustes na estrutura de capital.
Prejuízo da Raízen no radar do mercado
Para analistas de mercado, a combinação entre prejuízo ampliado, queda de receita e alta da dívida altera a percepção de risco no curto prazo da Raízen. A dinâmica da safra 2025/2026, marcada por oscilações de preços e desafios climáticos, adiciona incerteza às projeções do setor.
O prejuízo da Raízen passa, assim, a funcionar como termômetro das tensões no segmento de açúcar e etanol, que enfrenta volatilidade global e pressão sobre margens. A capacidade de reequilibrar a estrutura financeira e preservar competitividade será determinante para redefinir a trajetória da companhia nos próximos trimestres.





