As vendas no comércio encerraram 2025 com alta de 1,6%, a nona expansão anual consecutiva, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (13/02). Apesar do resultado positivo, o desempenho ficou distante dos 4,1% registrados em 2024, refletindo um ambiente de crédito restrito e taxa Selic em 15% desde junho do ano anterior.
Em dezembro, o varejo recuou 0,4% frente a novembro, abaixo do consenso de mercado, que projetava queda de 0,2%. No comércio ampliado, que inclui veículos e material de construção, a retração foi ainda maior, de 1,2%, indicando perda de ritmo no fechamento do ano.
Vendas no comércio sob pressão do crédito
O detalhamento setorial revela a divisão interna da economia. Segmentos dependentes de financiamento sentiram mais o aperto monetário. Material de construção caiu 2,8%, enquanto veículos e autopeças recuaram 2,4% no mês.
Bens de maior valor “costumam precisar de financiamento”, o que os torna mais sensíveis aos juros elevados. Já a Confederação Nacional do Comércio (CNC) avaliou que o varejo foi penalizado pela maior taxa básica em duas décadas.
Por outro lado, atividades ligadas à renda mostraram maior sustentação. O Bradesco calcula que o comércio associado ao crédito recuou 0,8% em 2025, enquanto o mais atrelado à renda avançou 0,5%, reforçando a influência do mercado de trabalho aquecido.
Desempenho do varejo e sinais para o PIB
Mesmo com o tom mais fraco em dezembro, o quarto trimestre registrou alguma recomposição. O núcleo do varejo subiu 1,0% no período, revertendo a queda anterior.
Os números confirmam desaceleração da atividade no segundo semestre, ainda que a renda real e as transferências federais tenham funcionado como amortecedores. As projeções para o PIB do quarto trimestre variam entre estabilidade e alta de 0,2%, segundo estimativas de bancos.
Vendas no comércio e a rota da Selic
As vendas no comércio também alimentam o debate sobre política monetária. O cenário reforça a aposta em corte de 0,50 ponto percentual na reunião de março. Já o C6 Bank projeta redução inicial de 0,25 ponto, para 14,75%, embora admita ajuste maior.
Para 2026, as estimativas indicam Selic entre 12,25% e 12,5% no fim do ano. No acumulado de 2025, o PIB deve crescer 2,3%, segundo XP e C6.
Dessa forma, as vendas no comércio deixam uma mensagem clara ao Banco Central: o consumo ainda avança, mas perdeu intensidade. O equilíbrio entre renda firme e crédito restrito será determinante para o ritmo da economia no próximo ciclo.





