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Vendas no comércio fecham 2025 com fôlego menor

As vendas no comércio avançaram 1,6% em 2025, mas desaceleraram com juros em 15%. Dados do IBGE reforçam expectativa de corte da Selic e ritmo mais moderado do PIB em 2026.
vendas no comércio em 2025 segundo IBGE
Alta de 1,6% em 2025 marca desaceleração frente a 2024. Imagem: Canva

As vendas no comércio encerraram 2025 com alta de 1,6%, a nona expansão anual consecutiva, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (13/02). Apesar do resultado positivo, o desempenho ficou distante dos 4,1% registrados em 2024, refletindo um ambiente de crédito restrito e taxa Selic em 15% desde junho do ano anterior.

Em dezembro, o varejo recuou 0,4% frente a novembro, abaixo do consenso de mercado, que projetava queda de 0,2%. No comércio ampliado, que inclui veículos e material de construção, a retração foi ainda maior, de 1,2%, indicando perda de ritmo no fechamento do ano.

Vendas no comércio sob pressão do crédito

O detalhamento setorial revela a divisão interna da economia. Segmentos dependentes de financiamento sentiram mais o aperto monetário. Material de construção caiu 2,8%, enquanto veículos e autopeças recuaram 2,4% no mês.

Bens de maior valor “costumam precisar de financiamento”, o que os torna mais sensíveis aos juros elevados. Já a Confederação Nacional do Comércio (CNC) avaliou que o varejo foi penalizado pela maior taxa básica em duas décadas.

Por outro lado, atividades ligadas à renda mostraram maior sustentação. O Bradesco calcula que o comércio associado ao crédito recuou 0,8% em 2025, enquanto o mais atrelado à renda avançou 0,5%, reforçando a influência do mercado de trabalho aquecido.

Desempenho do varejo e sinais para o PIB

Mesmo com o tom mais fraco em dezembro, o quarto trimestre registrou alguma recomposição. O núcleo do varejo subiu 1,0% no período, revertendo a queda anterior.

Os números confirmam desaceleração da atividade no segundo semestre, ainda que a renda real e as transferências federais tenham funcionado como amortecedores. As projeções para o PIB do quarto trimestre variam entre estabilidade e alta de 0,2%, segundo estimativas de bancos.

Vendas no comércio e a rota da Selic

As vendas no comércio também alimentam o debate sobre política monetária. O cenário reforça a aposta em corte de 0,50 ponto percentual na reunião de março. Já o C6 Bank projeta redução inicial de 0,25 ponto, para 14,75%, embora admita ajuste maior.

Para 2026, as estimativas indicam Selic entre 12,25% e 12,5% no fim do ano. No acumulado de 2025, o PIB deve crescer 2,3%, segundo XP e C6.

Dessa forma, as vendas no comércio deixam uma mensagem clara ao Banco Central: o consumo ainda avança, mas perdeu intensidade. O equilíbrio entre renda firme e crédito restrito será determinante para o ritmo da economia no próximo ciclo.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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