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Renúncia no BRB ocorre após ligação de conselheiros ao caso Master

A renúncia no BRB de dois membros do Conselho Fiscal ocorre após vinculação formal ao fundo da Reag, investigado no caso Master, ampliando debate sobre governança e fiscalização interna. Continue lendo e saiba mais.
renúncia no BRB após ligação ao caso Master
Sede do Banco de Brasília em meio a investigações que envolvem conselho e fundo da Reag. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

Dois integrantes do Conselho Fiscal do Banco de Brasília anunciaram sua renúncia do BRB na última sexta-feira (13/02), deixando os cargos com efeito imediato. Os advogados, Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói Lima de Sousa, afirmaram que desconheciam a indicação atribuída ao Fundo Borneo, administrado pela Reag Investimentos, que atualmente está sob investigação da Polícia Federal (PF) por suspeitas de irregularidades em operações financeiras ligadas ao caso Banco Master.

Os dois advogados declararam que só tomaram ciência da vinculação ao fundo no dia 11/02, após fato relevante divulgado pelo Banco de Brasília (BRB). Em nota, Celivaldo afirmou que “desconhece integralmente tal indicação” e negou qualquer vínculo com o Borneo ou com seus representantes. Vasconcelos fez declaração semelhante.

Renúncia no BRB e a formalização da indicação

O ponto central envolve a ata da assembleia de março de 2025, que registrou o Fundo Borneo FIP Multiestratégia como responsável pela indicação dos dois advogados às vagas destinadas a acionistas preferencialistas no Conselho Fiscal. Inicialmente, os nomes eram associados ao governo do Distrito Federal.

A alteração ocorreu após correção de ata que reposicionou Juliana Monici Souza Pinheiro, chefe de gabinete do governador Ibaneis Rocha, como representante do acionista controlador. Com isso, o fundo administrado pela Reag Investimentos passou a figurar formalmente como padrinho das duas cadeiras.

O Conselho Fiscal não delibera sobre aquisições ou operações estratégicas, mas exerce papel de fiscalização dos atos da gestão, podendo requisitar informações e examinar demonstrações contábeis.

Desligamento ocorre em meio a apurações

Além disso, a renúncia ocorre enquanto a PF e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apuram operações envolvendo o BRB, a Reag e o Banco Master. A CVM conduz processo sigiloso que inclui o governador Ibaneis Rocha e Juliana Monici.

O BRB iniciou a compra de carteiras de crédito do Master na metade de 2024. Segundo a PF, foram identificados R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes adquiridos entre janeiro e junho de 2025. Em 28 de março, o banco formalizou proposta de R$ 2 bilhões para aquisição parcial do Master, operação posteriormente barrada pelo Banco Central.

O Fundo Borneo tornou-se acionista do BRB em 2024, período que coincide com o avanço das negociações com o Master. A Polícia Federal investiga a Reag na Operação Compliance Zero e também na Operação Carbono Oculto.

Renúncia no BRB amplia debate sobre governança

Embora a diretoria executiva tenha aprovado as operações com o Master, o Conselho Fiscal não registrou questionamentos formais, conforme documentos institucionais. O episódio reacende discussões sobre governança corporativa, critérios de indicação e transparência na composição dos órgãos de fiscalização.

Em nota, o BRB declarou que conduz suas atividades com responsabilidade e mantém o mercado informado sobre fatos relevantes. Ibaneis Rocha, a Reag, o Fundo Borneo e demais conselheiros não comentaram o caso.

A renúncia no BRB ocorre num ambiente de escrutínio regulatório e judicial que pode redefinir a percepção do mercado sobre controles internos e independência do conselho. A forma como o banco reorganizará sua estrutura fiscalizatória, portanto, tende a influenciar a confiança de investidores e autoridades.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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