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Fim da escala 6×1 pode gerar custo anual de R$ 180 bilhões, estima Firjan

O fim da escala 6x1 avança na Câmara e pode gerar custo anual de R$ 180 bilhões, segundo a Firjan, com reflexos em preços, empregos e contas públicas.
Imagem de uma carteira de trabalho para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Fim da Escola 6x1
(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O fim da escala 6×1 pode gerar um custo anual de R$ 180 bilhões para a economia brasileira, segundo estimativa da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). A proposta está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, após o governo solicitar urgência na tramitação.

A discussão ocorre em meio a pressões por mudanças na jornada de trabalho e alternativas como a redução de 44 para 40 horas semanais. Para o setor industrial, no entanto, o debate exige cautela diante do atual cenário fiscal e produtivo do país.

O que está em jogo no fim da escala 6×1

O vice-presidente da Firjan, Antônio Carlos Vilela, afirmou à CNN Brasil que a redução da carga horária é comum em economias desenvolvidas, mas questionou se o Brasil reúne condições para adotá-la agora. Segundo ele, o país enfrenta baixa produtividade, juros elevados, restrições fiscais e escassez de mão de obra qualificada.

De acordo com Antônio Carlos Vilela, o custo estimado do fim da escala 6×1 tende a ser repassado à sociedade. Hospitais públicos administrados por empresas privadas teriam de ampliar contratações para manter atendimento 24 horas, elevando despesas para estados e municípios. Planos de saúde e setores do comércio também poderiam rever preços para absorver o aumento de custos operacionais.

Pressão sobre empresas e setor público

A mudança no regime de trabalho afetaria diretamente segmentos com funcionamento contínuo, como serviços essenciais, indústria de base, plataformas de petróleo e varejo alimentar. Segundo o representante da Firjan, empresas que não conseguirem repassar custos poderão encerrar atividades.

Além disso, o debate envolve o equilíbrio entre competitividade industrial, sustentabilidade fiscal e preservação de empregos. Para o vice-presidente da Firjan, decisões precipitadas podem ampliar riscos em um ambiente já pressionado por desaceleração econômica e limitações orçamentárias.

Ele defende discutir a eventual transição por setor, com prazos definidos e acordos amplos. “Vamos discutir com a sociedade como fazer isso e por setor”, afirmou.

Caminhos para o fim da escala 6×1

No Congresso, também circulam propostas alternativas, como nova desoneração da folha de pagamento para compensar custos trabalhistas e ajustes graduais na carga semanal. A proposta principal, porém, mantém o foco no fim da escala 6×1 como eixo central da mudança.

Especialistas em relações trabalhistas avaliam que o debate tende a ganhar tração em ano eleitoral, sobretudo diante da pressão por ampliação de direitos. Ainda assim, qualquer decisão exigirá análise técnica sobre impacto inflacionário, geração de empregos e reflexos nas contas públicas.

O avanço do fim da escala 6×1 coloca em confronto produtividade, custo do trabalho e capacidade fiscal do Estado. O desfecho desse debate poderá redefinir a estrutura da jornada laboral no Brasil e influenciar diretamente o ritmo de crescimento econômico nos próximos anos.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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