Relatório Focus divulgado hoje, segunda-feira (23/02), consolidou uma nova rodada de revisões para 2026. A publicação semanal do Banco Central apontou redução simultânea nas projeções de inflação e juros em relação ao levantamento de 18 de fevereiro.
A mediana do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como índice oficial da inflação no Brasil, caiu de 3,95% para 3,91% em uma semana. Ao mesmo tempo, a estimativa para a taxa Selic recuou de 12,25% para 12,13%, marcando a primeira queda após um período de estabilidade nas expectativas.
Relatório Focus hoje reforça desaceleração da inflação
O ajuste amplia uma trajetória que começou quando o IPCA projetado ainda orbitava os 4,00%. A nova edição mostra que o mercado passou a incorporar números mensais mais comportados.
Na comparação com o Relatório Focus da semana anterior, os principais movimentos apontados hoje foram:
- IPCA 2026: recuou de 3,95% para 3,91%, ampliando a sequência de revisões baixistas observada nas últimas semanas.
- IPCA fevereiro: caiu de 0,50% para 0,45%, indicando leitura mais benigna para a inflação corrente.
- IPCA março: passou de 0,34% para 0,33%, reforçando pressão moderada no curto prazo.
- Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M): recuou de 3,86% para 3,71%, sugerindo arrefecimento também nos preços ao produtor.
Há quatro semanas, o IPCA estava em 4,00%. Agora, o indicador se aproxima do centro da meta de inflação, enquanto o IPCA acumulado em 12 meses suavizado aparece em 3,95%, segundo o Banco Central.
Projeções de mercado indicam ajuste coordenado
A revisão da taxa Selic ocorre em paralelo ao alívio das expectativas inflacionárias, ainda que o movimento seja discreto.
Na mesma comparação semanal, no Relatório Focus de hoje houve mudanças adicionais:
- Selic 2026: caiu de 12,25% para 12,13%, refletindo menor pressão nos índices de preços.
- Produto Interno Bruto (PIB) 2026: subiu de 1,80% para 1,82%, indicando manutenção da atividade econômica.
- Câmbio 2026: passou de R$ 5,50 para R$ 5,45, movimento que tende a reduzir custos de importação.
- Dívida líquida/PIB: recuou de 70,20% para 70,00%, sinalizando leve melhora na trajetória fiscal estimada.
O resultado primário permaneceu em -0,50% do PIB, enquanto o resultado nominal melhorou marginalmente. O conjunto, portanto, mostra que inflação, juros e dólar passaram por ajuste simultâneo na margem.
Relatório Focus hoje e o quadro fiscal
No campo das contas públicas, as mudanças são graduais, mas apontam leve acomodação na trajetória da dívida para 2026.
Apesar disso, o déficit primário permanece estável nas projeções, o que indica que o cenário fiscal estrutural não sofreu alteração relevante no período.
Boletim Focus aponta mudança na margem
A combinação de inflação em queda, Selic levemente menor e câmbio mais apreciado altera a leitura macroeconômica do Relatório Focus de hoje em relação às semanas anteriores. Se a sequência de revisões persistir, a discussão sobre o ritmo de ajuste da política monetária poderá ganhar nova dinâmica ao longo de 2026, especialmente diante da convergência gradual do IPCA para patamar próximo à meta.





