Os resultados da Gerdau no quarto trimestre de 2025, divulgados na segunda-feira (23/02), mostram retração no lucro ajustado e na margem operacional, mas forte geração de caixa e redução da alavancagem. A companhia encerrou o período com EBITDA ajustado de R$ 2,374 bilhões e lucro líquido ajustado de R$ 670 milhões.
Uma das maiores produtoras brasileiras de aço, com operações no Brasil, nos Estados Unidos, no Canadá e em países da América do Sul, a Gerdau atua na fabricação de aços longos, planos e especiais, além de minério de ferro. Nesse contexto de presença internacional, o desempenho consolidado foi sustentado pelas operações na América do Norte, enquanto o Brasil concentrou as principais pressões operacionais no período.
Resultados da Gerdau no quarto trimestre: números consolidados
Antes de detalhar os vetores regionais, os principais indicadores do balanço revelam o retrato financeiro do período:
- Vendas de aço: 2,861 milhões de toneladas (-7,3% vs 3T25; +5,2% vs 4T24)
- Receita líquida: R$ 16,97 bilhões (-5,6% vs 3T25; +0,9% vs 4T24)
- EBITDA ajustado: R$ 2,374 bilhões (-13,3% vs 3T25; -0,7% vs 4T24)
- Margem EBITDA ajustada: 14,0%
- Lucro líquido ajustado: R$ 670 milhões (-38,5% vs 3T25; +0,5% vs 4T24)
- Fluxo de caixa livre: R$ 1,411 bilhão
- Dívida líquida/EBITDA: 0,76x
A retração trimestral decorre, segundo a administração, da sazonalidade típica de fim de ano e de paradas programadas de manutenção no Brasil. Além disso, a empresa reconheceu perdas por não recuperabilidade de ativos de R$ 1,964 bilhão no segmento brasileiro, sem impacto no caixa.
Por outro lado, a geração de caixa foi impulsionada pela liberação de R$ 1,4 bilhão em capital de giro e menor desembolso em CAPEX no período.
O que sustentou e o que pressionou o balanço
O principal vetor de sustentação dos resultados da Gerdau no quarto trimestre veio da América do Norte. A região respondeu por 72,8% do EBITDA consolidado no trimestre, com R$ 1,832 bilhão em EBITDA ajustado. A companhia atribui o desempenho à demanda consistente em setores como construção não residencial e energia, além da recomposição de preços e maior participação em produtos de maior valor agregado.
No Brasil, o ambiente foi mais desafiador. O EBITDA ajustado somou R$ 509 milhões, pressionado por menor volume de vendas no mercado interno e aumento da competição com aço importado. Além disso, em 2025, as importações atingiram 6,4 milhões de toneladas, alta de 7,4% na comparação anual, segundo o Instituto Aço Brasil.
Já na América do Sul, o EBITDA ajustado foi de R$ 174 milhões. O aumento das exportações na Argentina compensou parcialmente a demanda doméstica mais fraca, mas custos ligados a paradas de manutenção reduziram a margem.
Capital, dívida e retorno ao acionista
Mesmo com o recuo operacional, os resultados da Gerdau no quarto trimestre indicam disciplina financeira. A dívida bruta caiu para R$ 14,2 bilhões, enquanto o caixa encerrou o período em R$ 6,4 bilhões. O indicador de alavancagem permaneceu em 0,76x, abaixo do trimestre anterior.
No retorno ao acionista, o Conselho aprovou dividendos de R$ 0,10 por ação, totalizando R$ 197,5 milhões, com pagamento previsto para 18 de março de 2026. Além disso, a empresa autorizou novo programa de recompra de até 56,4 milhões de ações, equivalente a cerca de 2,9% do total em circulação.
Desempenho da Gerdau no quarto trimestre sob pressão seletiva
Os resultados da Gerdau no quarto trimestre evidenciam um modelo de negócios sustentado pela diversificação geográfica, com a América do Norte funcionando como amortecedor em um cenário de competição intensa no mercado brasileiro.
A combinação de fluxo de caixa livre positivo, redução da dívida e manutenção do retorno ao acionista reforça a estratégia de preservar rentabilidade mesmo em um ciclo mais desafiador para o setor siderúrgico.





