A sondagem industrial de janeiro mostrou que a produção brasileira iniciou 2026 em retração, com o índice marcando 44,9 pontos, abaixo da linha de 50 que separa expansão de queda. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (24/02), com dados coletados entre 2 e 12 de fevereiro pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Embora o indicador tenha avançado 4 pontos frente a dezembro, o resultado representa o pior desempenho para o mês de janeiro desde 2022. Além disso, o mercado de trabalho industrial também começou o ano pressionado.
Sondagem industrial de janeiro revela produção e emprego em baixa
O índice de evolução da produção medido permaneceu em campo negativo, refletindo redução disseminada da atividade. Apesar da recuperação na margem, o patamar indica que a atividade industrial segue aquém do ritmo necessário para sustentar crescimento consistente.
No emprego, o quadro não foi diferente. Segundo a sondagem industrial de janeiro, o indicador de número de empregados ficou em 47,6 pontos, ainda abaixo da linha divisória. Trata-se do menor resultado para o mês de janeiro desde 2017, sinalizando enfraquecimento do mercado de trabalho industrial.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) ficou em 66%, estável frente a dezembro, mas no menor nível para o mês desde 2019. Dentro do recorte da sondagem industrial de janeiro, esse percentual indica capacidade ociosa relevante nas fábricas, o que limita pressões sobre novos investimentos produtivos no curto prazo.
Capacidade ociosa e estoques pressionam indústria
Na leitura da sondagem industrial de janeiro, o nível de estoques subiu levemente para 48,8 pontos, ainda abaixo de 50. Ao mesmo tempo, o índice de estoque efetivo em relação ao planejado caiu para 49,2 pontos, indicando que os estoques ficaram aquém do esperado pelas empresas.
Esse descompasso, captado pela sondagem industrial, sugere que a recomposição de inventários pode ocorrer de forma gradual, dependendo do comportamento da demanda interna e das encomendas industriais ao longo do semestre.
Por outro lado, o levantamento também registrou melhora nas projeções. O índice de expectativa de demanda avançou para 54,2 pontos em fevereiro, enquanto a expectativa de compras de insumos e matérias-primas subiu para 52,8 pontos.
Sondagem industrial de janeiro e o contraste nas expectativas
A sondagem industrial de janeiro também registrou que a expectativa de emprego cruzou a linha de 50 pontos, atingindo 50,4 em fevereiro. Isso encerra seis meses seguidos de perspectiva negativa para o quadro de pessoal.
A intenção de investimento recuou para 55,3 pontos, mas permanece 3,7 pontos acima da média histórica, de 51,6. Entre grandes empresas, o indicador alcança 63,9 pontos, enquanto nas pequenas indústrias fica em 41,3.
O contraste entre dados correntes fracos e projeções mais favoráveis sugere que o setor entra em 2026 com produção retraída, porém com empresários apostando em recuperação gradual da produção manufatureira, das exportações industriais e da demanda por bens industriais. Se essas expectativas se confirmarem, a sondagem industrial de janeiro poderá marcar o ponto de inflexão de um ciclo ainda indefinido.





