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Sondagem industrial de janeiro expõe início fraco para a produção em 2026

A sondagem industrial de janeiro aponta produção e emprego abaixo da linha de crescimento, com UCI em 66%. Apesar disso, expectativas de demanda e investimento seguem acima da média histórica para os próximos meses.
sondagem industrial de janeiro mostra produção em fábrica
Dados da CNI indicam produção abaixo da linha de expansão no início de 2026. (Foto: Reprodução)

A sondagem industrial de janeiro mostrou que a produção brasileira iniciou 2026 em retração, com o índice marcando 44,9 pontos, abaixo da linha de 50 que separa expansão de queda. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (24/02), com dados coletados entre 2 e 12 de fevereiro pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Embora o indicador tenha avançado 4 pontos frente a dezembro, o resultado representa o pior desempenho para o mês de janeiro desde 2022. Além disso, o mercado de trabalho industrial também começou o ano pressionado.

Sondagem industrial de janeiro revela produção e emprego em baixa

O índice de evolução da produção medido permaneceu em campo negativo, refletindo redução disseminada da atividade. Apesar da recuperação na margem, o patamar indica que a atividade industrial segue aquém do ritmo necessário para sustentar crescimento consistente.

No emprego, o quadro não foi diferente. Segundo a sondagem industrial de janeiro, o indicador de número de empregados ficou em 47,6 pontos, ainda abaixo da linha divisória. Trata-se do menor resultado para o mês de janeiro desde 2017, sinalizando enfraquecimento do mercado de trabalho industrial.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) ficou em 66%, estável frente a dezembro, mas no menor nível para o mês desde 2019. Dentro do recorte da sondagem industrial de janeiro, esse percentual indica capacidade ociosa relevante nas fábricas, o que limita pressões sobre novos investimentos produtivos no curto prazo.

Capacidade ociosa e estoques pressionam indústria

Na leitura da sondagem industrial de janeiro, o nível de estoques subiu levemente para 48,8 pontos, ainda abaixo de 50. Ao mesmo tempo, o índice de estoque efetivo em relação ao planejado caiu para 49,2 pontos, indicando que os estoques ficaram aquém do esperado pelas empresas.

Esse descompasso, captado pela sondagem industrial, sugere que a recomposição de inventários pode ocorrer de forma gradual, dependendo do comportamento da demanda interna e das encomendas industriais ao longo do semestre.

Por outro lado, o levantamento também registrou melhora nas projeções. O índice de expectativa de demanda avançou para 54,2 pontos em fevereiro, enquanto a expectativa de compras de insumos e matérias-primas subiu para 52,8 pontos.

Sondagem industrial de janeiro e o contraste nas expectativas

A sondagem industrial de janeiro também registrou que a expectativa de emprego cruzou a linha de 50 pontos, atingindo 50,4 em fevereiro. Isso encerra seis meses seguidos de perspectiva negativa para o quadro de pessoal.

A intenção de investimento recuou para 55,3 pontos, mas permanece 3,7 pontos acima da média histórica, de 51,6. Entre grandes empresas, o indicador alcança 63,9 pontos, enquanto nas pequenas indústrias fica em 41,3.

O contraste entre dados correntes fracos e projeções mais favoráveis sugere que o setor entra em 2026 com produção retraída, porém com empresários apostando em recuperação gradual da produção manufatureira, das exportações industriais e da demanda por bens industriais. Se essas expectativas se confirmarem, a sondagem industrial de janeiro poderá marcar o ponto de inflexão de um ciclo ainda indefinido.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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