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BMP Money Plus entra na mira da PF e revela brecha regulatória

A BMP Money Plus é investigada por suspeita de omitir informações ao Banco Central e ao Coaf. A apuração ainda está em andamento e pode levar a ajustes na supervisão do sistema financeiro.
BMP Money Plus em estande institucional durante evento do setor financeiro
Estande da BMP Money Plus em evento voltado ao setor financeiro e fintechs. (Foto: Divulgação)

A BMP Money Plus entrou na mira da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (25/02) por suspeita de facilitar lavagem de dinheiro e descumprir regras de controle do sistema financeiro. A operação, chamada Cliente Fantasma, cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços ligados à instituição nas cidades de São Paulo e Barueri.

Segundo a PF, a instituição, embora autorizada a operar pelo Banco Central (BC) e integrante do Sistema Financeiro Nacional, não informava corretamente a identificação de clientes ao regulador. Conforme publicado pela Agência Brasil, a prática contraria a Resolução 179, editada em 2022, que disciplina o registro e a comunicação de dados cadastrais e operacionais ao BC. A investigação ainda está em fase inicial e não há denúncia formal apresentada até o momento. A apuração, contudo, concentra-se em um ponto técnico sensível.

BMP Money Plus e os “clientes invisíveis” ao Banco Central

De acordo com a corporação, a BMP mantinha “clientes invisíveis” aos órgãos de controle. Em termos práticos, isso significa que determinadas contas ou operações não estariam plenamente registradas nos sistemas de supervisão. Essa lacuna dificulta o rastreamento financeiro, a execução de bloqueios judiciais e o monitoramento de fluxos suspeitos.

Além disso, a PF sustenta que a instituição não realizava comunicações obrigatórias de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Esse procedimento é parte central da política de prevenção à lavagem de capitais. Sem essas notificações, o acompanhamento da origem e do destino dos recursos torna-se mais complexo. Para além da dimensão técnica, o caso levanta questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de fiscalização.

Em julho de 2025, a BMP Money Plus esteve entre as instituições afetadas pelo ataque hacker que atingiu contas do Pix sob custódia do Banco Central, após a invasão aos sistemas da C&M Software. O episódio gerou forte repercussão no Sistema financeiro nacional. À época, estimativas do setor indicavam que o prejuízo às empresas impactadas poderia superar R$ 1 bilhão.

Possíveis crimes e estágio da investigação

Os investigados poderão responder por crimes contra o sistema financeiro, omissão de informações e lavagem de capitais, caso as suspeitas sejam confirmadas. A PF mencionou a possibilidade de movimentação de valores que podem alcançar bilhões de reais, mas o volume total ainda depende de perícia e aprofundamento das diligências.

Em nota, a BMP informou que “está colaborando integralmente com as autoridades” e que presta esclarecimentos sobre operações antigas de ex-clientes. A empresa afirmou ainda que segue operando normalmente.

No cenário regulatório, a investigação coloca em debate a capacidade de supervisão sobre instituições autorizadas pelo Banco Central. Se as falhas forem comprovadas, o caso da BMP Money Plus pode impulsionar ajustes nos protocolos de reporte e reforçar exigências de compliance no sistema financeiro nacional.

Foto de Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação e dos portais Economic News Brasil, Boa Notícia Brasil e J1 News Brasil.

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