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Nvidia dispara lucro com IA, mas Wall Street já teme freio do setor

A Nvidia registrou lucro recorde impulsionado pela inteligência artificial, mas investidores já questionam se a corrida bilionária da IA conseguirá manter força até 2028.
Imagem da fachada da Nvidia para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Lucro da Nvidia.
Lucro da Nvidia dispara com IA, mas mercado teme freio bilionário. (Imagem: divulgação/Nvidia)

A Nvidia registrou lucro de US$ 58,3 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2027, alta de 211% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita alcançou US$ 81,6 bilhões, acima das projeções de Wall Street e impulsionada pela corrida global por infraestrutura de inteligência artificial.

O resultado reforça a posição da Nvidia como principal termômetro financeiro da IA no mundo. Ao mesmo tempo, amplia uma dúvida crescente entre investidores: até quando o ritmo bilionário de expansão da inteligência artificial conseguirá continuar acelerando sem sinais de saturação.

A preocupação ganhou força porque a Nvidia passou a depender diretamente dos investimentos das Big Techs em data centers, justamente quando empresas como Google, Amazon e Microsoft começam a desenvolver chips próprios e reduzir dependência da companhia.

Nvidia vira centro da corrida global da inteligência artificial

Os chips da Nvidia abastecem praticamente todos os grandes data centers usados para treinar e operar modelos avançados de inteligência artificial.

A empresa virou peça central da nova disputa tecnológica global envolvendo:

  • Alphabet
  • Amazon
  • Microsoft
  • Meta
  • OpenAI

Na comparação anual, a receita da companhia avançou 85%. Em relação ao trimestre anterior, o crescimento foi de 20%.

O CEO Jensen Huang afirmou recentemente que a inteligência artificial atravessa a “maior expansão de infraestrutura tecnológica da história”, impulsionada pela explosão da IA generativa e dos sistemas autônomos.

A Nvidia domina justamente o setor mais estratégico dessa corrida: os chips usados para processamento avançado de IA.

Mesmo assim, Wall Street já começa a demonstrar desconforto com a velocidade dessa expansão. Analistas avaliam que superar projeções trimestrais deixou de ser suficiente para sustentar o entusiasmo do mercado.

A principal dúvida agora envolve o que acontecerá em 2027 e 2028, quando o setor pode enfrentar desaceleração dos investimentos e avanço mais forte da concorrência.

Big Techs aceleram gastos bilionários e elevam riscos

Os investimentos globais em inteligência artificial seguem em ritmo agressivo.

Alphabet, Amazon e Microsoft devem investir mais de US$ 700 bilhões em infraestrutura de IA neste ano. Em 2025, o volume girava próximo de US$ 400 bilhões.

O avanço mostra que a disputa tecnológica deixou de acontecer apenas no software e passou a depender diretamente de:

  • capacidade computacional
  • energia
  • construção de data centers
  • produção avançada de semicondutores

A Nvidia se tornou uma das maiores beneficiárias desse movimento. O problema é que o crescimento acelerado também elevou riscos importantes para o mercado.

Entre as principais ameaças apontadas por analistas estão:

  • dependência excessiva das Big Techs
  • pressão sobre margens futuras
  • avanço de chips próprios do Google e Amazon
  • concorrência da AMD e Intel
  • aumento dos custos energéticos
  • risco de desaceleração da IA generativa

A mudança do mercado para cargas de trabalho de inferência também passou a gerar preocupação.

Na primeira fase da corrida da IA, os investimentos estavam concentrados no treinamento de modelos gigantescos. Agora, o foco começa a migrar para sistemas que executam respostas e operam aplicações em larga escala.

Essa transição pode abrir espaço para chips mais baratos e especializados, reduzindo parte da vantagem competitiva da Nvidia no futuro.

China e concorrência ampliam pressão sobre crescimento e lucro futuro da Nvidia

Outro fator observado com atenção por investidores envolve as restrições dos Estados Unidos sobre exportações de chips avançados para a China.

As limitações impostas por Washington aumentaram o risco de desaceleração em um dos maiores mercados globais de semicondutores e pressionam a estratégia internacional da Nvidia.

Ao mesmo tempo, gigantes da tecnologia aceleram projetos internos para reduzir dependência da companhia.

Google, Amazon e Microsoft ampliaram investimentos em semicondutores próprios voltados para inteligência artificial, enquanto AMD e Intel tentam capturar parte da explosão da demanda global.

Apesar das pressões, a companhia manteve projeções agressivas.

A Nvidia estimou lucro de US$ 91 bilhões para o segundo trimestre fiscal, acima das expectativas de Wall Street, que apontavam cerca de US$ 86,84 bilhões, segundo dados da LSEG.

A empresa também anunciou:

  • recompra de ações de US$ 80 bilhões
  • aumento do dividendo trimestral
  • expansão contínua da produção de chips para IA

O dividendo passará de 1 centavo para 25 centavos por ação, movimento interpretado pelo mercado como sinal de confiança na continuidade da geração de caixa.

O lucro da Nvidia mostra que a empresa continua liderando a corrida global da inteligência artificial, mas também revela que investidores já começam a questionar quanto tempo o atual ciclo bilionário de expansão conseguirá manter o mesmo ritmo.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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